BYD cobra governo por cotas de importação e Anfavea articula reação
Montadora chinesa pede renovação de benefícios e adiamento da tarifa de 35%, enquanto fabricantes instaladas no país defendem a indústria nacional

A BYD intensificou as negociações com o governo federal para tentar restabelecer as cotas de importação de veículos eletrificados e adiar a aplicação da alíquota de 35% sobre os veículos importados, prevista para entrar em vigor em julho de 2026.
As cotas para veículos eletrificados que chegam do exterior desmontados e semidesmontados expiraram em janeiro. A fabricante chinesa defende a renovação do benefício, alegando que a medida faz parte dos compromissos assumidos durante a instalação de sua fábrica em Camaçari-BA e é fundamental para garantir a continuidade dos investimentos e da expansão da eletrificação no país.

“Nossa única demanda é que o governo cumpra aquilo que foi pactuado entre o nosso setor e os agentes públicos”, disse Alexandre Baldy, vice-presidente da BYD no Brasil, durante conversa com jornalistas, na segunda-feira (22), em São Paulo.
Além da renovação das cotas, a empresa tenta postergar a aplicação da tarifa máxima de importação de 35% para veículos elétricos, híbridos e híbridos plug-in, que passará a valer a partir do próximo mês. O adiamento do imposto beneficia, principalmente, as fabricantes chinesas recém-chegadas ao Brasil.
Baldy destacou que a BYD comprovou o investimento de R$ 3 bilhões na fábrica na Bahia, que já conta com 5 mil empregos diretos. “A BYD arriscou o seu próprio capital ao investir localmente por acreditar no país, sem recorrer a financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)", pontuou.

Em resposta, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) se mobiliza contra qualquer flexibilização das regras. A entidade, que representa as montadoras instaladas no Brasil, defende a manutenção do cronograma de recomposição do imposto de importação e afirma que novos incentivos às importações podem prejudicar a produção nacional, os investimentos e a geração de empregos.
A Anfavea também critica a importação de veículos parcialmente desmontados, argumentando que o método reduz a nacionalização da produção e enfraquece a cadeia automotiva brasileira. O discurso tem o apoio de outras entidades do setor, como a Fiep (Federação das Indústrias do Paraná), Firjan (Rio de Janeiro), Sindipeças (representante dos fabricantes de autopeças) e sindicatos metalúrgicos.
100 mil carros em seis meses

A BYD aproveitou o encontro com jornalistas, em São Paulo, para anunciar a marca de 300 mil veículos eletrificados vendidos no mercado brasileiro. Desse montante, 100 mil unidades foram comercializadas somente nos últimos seis meses.
Um BYD Song Pro GL cinza, entregue na concessionária Grand Brasil, na capital paulista, simbolizou a marca histórica. O veículo foi entregue por Alexandre Baldy ao cliente Alexandre Imada, que escolheu o SUV para uso familiar.

A BYD afirma que o crescimento representa uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro em relação à eletrificação. A marca chinesa destaca que o compacto elétrico Dolphin Mini já soma mais de 86 mil emplacamentos no país desde o seu lançamento, em 2024. O modelo lidera as vendas no varejo nos últimos quatro meses.
Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.



