Tensão no Oriente Médio encarece ureia nos portos do Brasil pela 4ª semana seguida
Fertilizante acumula alta de 14% no período; analista alerta para a necessidade de acelerar as compras pré-safra enquanto a relação de troca com o milho ainda é favorável

As incertezas geopolíticas no Oriente Médio voltaram a pressionar o mercado global de insumos agrícolas, provocando reflexos diretos no agronegócio brasileiro. Nos portos do país, o preço da ureia registrou a quarta semana consecutiva de valorização, acumulando uma alta de 14% no período.
O movimento reflete o fortalecimento do viés altista para os fertilizantes nitrogenados no cenário internacional. Segundo análise de Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, os entraves logísticos na região central do conflito são os grandes vilões por trás da disparada.
"Entre os principais fatores estão as restrições logísticas provocadas pelas dificuldades de navegação no Estreito de Ormuz e o bloqueio norte-americano aos portos iranianos. Esses entraves têm reforçado, entre os compradores, a percepção de uma oferta mais restrita", disse Tomás Pernías, analista da StoneX.
Disputa internacional e estoques nacionais em alerta
Além do gargalo na oferta, a forte demanda sazonal pressiona as cotações globais. Nesta época do ano, o mercado brasileiro intensifica a aquisição de nitrogenados ao mesmo tempo em que a Índia atua fortemente no terceiro trimestre para recompor seus estoques, colocando dois dos maiores importadores do mundo em disputa direta por volumes.
O alívio temporário registrado em semanas anteriores, quando as conversas de paz entre EUA e Irã pareciam avançar, deu lugar a um renovado estado de alerta com o recuo das negociações. A mudança de tom preocupa, uma vez que o Brasil se aproxima da janela crucial de preparação para a próxima safra.
Análises da StoneX indicam que a soma das importações de ureia, sulfato de amônio e nitrato de amônio entre janeiro e junho aponta para um estoque de nitrogênio abaixo do registrado em anos anteriores. Diante desse cenário, a consultoria destaca que as aquisições nacionais precisam ganhar ritmo nas próximas semanas para garantir o suprimento da lavoura.
Onde aperta o calo do produtor?
Apesar do aumento recente da ureia, a relação de troca entre o milho e o nitrogenado ainda se mantém em patamares relativamente atrativos, alinhada à média histórica recente. Na prática, o produtor de milho ainda não sente um forte impacto na margem operacional do insumo.
Por outro lado, o verdadeiro gargalo da rentabilidade no momento está no mercado de fosfatados. Enquanto a situação dos nitrogenados segue razoável para o bolso do agricultor, as trocas por fosfatados se encontram visivelmente desfavoráveis e continuam comprimindo as margens operacionais da porteira para dentro.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



