Sebrae e cooperativa abrem novos mercados e premiam pequenos cafeicultores da Chapada de Minas
Parceria garante vendas diretas, amplia acesso ao mercado e leva cafés da agricultura familiar da Chapada de Minas à final de prêmio de qualidade

A agricultura familiar na Região da Chapada de Minas vive um momento de transformação e valorização no mercado cafeeiro. Com a formalização da Cooperativa dos Pequenos Produtores de Angelândia e Região da Chapada de Minas (Coopacha), idealizada com a consultoria do Sebrae Minas, cafeicultores de pequenas propriedades rurais passaram a contar com uma estrutura própria para comercializar a produção de forma conjunta, eliminando a dependência de intermediários e garantindo ganhos diretos aos cafeicultores.
A ausência de uma entidade cooperativista para o segmento por mais de uma década limitava a rentabilidade dos produtores familiares. A criação da Coopacha rompeu esse gargalo histórico. A cooperativa já alcançou a marca de quase 2 mil sacas de café registradas em depósito durante a safra 2026. Do total, mais de 600 sacas já foram comercializadas coletivamente, com 75% dos lotes classificados no padrão bebida dura — perfil altamente valorizado pelos compradores.
O trabalho conjunto envolve cerca de 30 cafeicultores e busca preparar o grupo para alcançar a Certificação Fairtrade (Comércio Justo). O selo internacional exige padrões sustentáveis, preservação ambiental e garantias sociais, assegurando um preço mínimo justo para as safras da região.
Exemplo que vem da gestão e do campo
Presidente da Coopacha, o cafeicultor Alessandro Moreira Santiago, de 33 anos, sintetiza os avanços conquistados pela união do grupo. Ele assumiu o comando da propriedade familiar aos 15 anos, após a perda do pai, e construiu toda a sua trajetória de vida ancorado na cafeicultura.
“Estou na cafeicultura há 18 anos tomando conta da propriedade. O café é a minha vida; tudo o que consegui hoje foi com a cafeicultura. Estamos nesse projeto da cooperativa agora e só temos a ganhar, acessando novos mercados. Em questão da cooperativa, estou na presidência mobilizando o pessoal para fortalecer a nossa entidade de pequenos produtores na Chapada de Minas”, destaca Alessandro.
No Sítio Aroeira, propriedade de 4 hectares irrigada por gotejamento, Alessandro conduz o manejo manual ao lado da família. Na safra 2025/2026, a colheita atingiu 181 sacas de café — uma média de 35 sacas por hectare, considerando a bienalidade da cultura —, divididas entre as variedades Catuaí e Arara. A gestão estratégica via cooperativa já se reflete no bolso do produtor: a rentabilidade na comercialização de sua safra teve um incremento de até 10%.


Qualidade reconhecida no 5º Prêmio da Chapada de Minas
O trabalho focado na melhoria do manejo e no aprimoramento dos grãos rendeu à Coopacha destaque na 5ª edição do Prêmio de Qualidade dos Cafés da Região da Chapada de Minas, promovido pelo Instituto do Café da Chapada de Minas (ICCM) em parceria com o Sebrae Minas.
Disputando a categoria Natural da modalidade Origens — voltada exclusivamente a propriedades de até 20 hectares —, Alessandro figura como um dos finalistas do prêmio concorrendo com a variedade Arara. A categoria conta com a presença de três cooperados da Coopacha entre os finalistas, evidenciando o alto padrão dos cafés produzidos pela agricultura familiar local.
A avaliação segue a metodologia sensorial da Specialty Coffee Association (SCA), analisando dez atributos como aroma, sabor, acidez, corpo e doçura.
Os lotes vencedores serão anunciados na noite desta quinta-feira (5), em Capelinha, e terão a oportunidade de ser arrematados em leilão promovido pelo Sebrae Minas.
Fortalecimento governamental e visão de futuro
O gerente regional do Sebrae Minas na Chapada de Minas, Rogério Nunes, ressalta que o fortalecimento das instâncias de governança é o caminho ideal para estruturar a economia regional e dar dignidade ao pequeno produtor.
“A criação da Coopacha é um marco para nós. Ela traz dignidade e segurança na comercialização, fortalecendo a marca do Território Chapada de Minas. O comprador, quando buscar cafés da nossa região, pode negociar diretamente com os produtores ou, no caso dos pequenos, via Coopacha. Um produtor isolado muitas vezes não completa uma carga, mas a cooperativa reúne esses volumes e vende direto, mantendo o ganho na região”, explicou Rogério Nunes à Itatiaia.
Sobre a participação recorde de amostragem na premiação de 2026, o gerente do Sebrae enfatiza a importância de incluir a agricultura familiar nos espaços de reconhecimento técnico.
“A grande maioria dos cafeicultores da Chapada de Minas é composta por pequenos produtores. Não faria sentido ter uma premiação sem essa turma participando, sobretudo porque eles produzem cafés de excelente qualidade e estão figurando merecidamente entre os finalistas”, concluiu.

Com o respaldo da cooperativa e as capacitações promovidas na região, a expectativa da diretoria é consolidar a governança interna nos primeiros meses para, em breve, expandir o quadro de associados e absorver a crescente demanda de novos cafeicultores locais.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



