Produtores rurais se ‘armam’ contra ‘uma das piores espécies invasoras do mundo’; saiba qual
Sindicatos Rurais convidam especialista da USP para falar sobre a espécie que tem destruído plantações de milho e soja e atacado bezerros e outros animais em Minas

Já faz um tempo que a proliferação descontrolada dos javalis tira o sono de produtores rurais. A espécie é considerada ‘uma das 100 piores espécies exóticas invasoras do mundo’, capaz de destruir plantações, invadir galinheiros, matar bezerros e outros animais. Pensando em se informar melhor a respeito e traçar estratégias para lidar com o problema, o Núcleo do dos Sindicatos Rurais do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, entidade que representa 42 sindicatos, promove, hoje (30), no salão Nobre da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, em Uberaba, a palestra “Javali, Histórico, Atualidade e Controle”.

O convidado para falar sobre o assunto é o engenheiro agrônomo, pesquisador e professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo - Esalq/USP, Paulo Bezerra. Ele também é membro do Grupo de Trabalho para controle de javalis de São Paulo e coordenador do programa para controle de capivaras e javalis ESALQ/USP e especialista há 40 anos em manejo de espécies cinegéticas (que sofrem grande pressão de caça).
A ideia do evento partiu do médico- veterinário, presidente do Núcleo e do Sindicato dos Produtores Rurais de Campo Florido, Carlos Márcio Guapo. “Não dá mais pra ficarmos esperando alguém fazer alguma coisa. Estamos falando de um problema muito sério”, disse.
Devem participar da palestra, hoje, o promotor de meio ambiente da região, caçadores e representantes das Secretarias de Meio Ambiente e da Agricultura e Pecuária. Marcio disse que o próximo passo será reunir representantes do Instituto Estadual de Florestas (IEF) e do Instituto de Gestão das Águas (Igam), entre outros órgãos, para debater e encontrar uma solução. Acredito que todos juntos, com o apoio da pesquisa e da Universidade, vamos conseguir. Os javalis estão destruindo a nossa fauna, comendo os ovos dos pássaros e atacando as plantações de cana, soja e milho, com prejuízos incalculáveis”, denunciou.
Liberação da caça foi ‘tiro que saiu pela culatra’
De acordo com estudo recente da UFPR (Universidade Federal do Paraná), a liberação da caça ao animal, em 2013, foi um ‘tiro que saiu pela culatra’ porque, paradoxalmente, contribuiu para disseminar ainda mais o animal pelo território nacional. Os últimos dados disponíveis mostram que o animal foi registrado em 2.010 municípios em 2022 —em 2016, eram 489.
"O javali está indo para onde tem caça, ou seja, sua disseminação é feita de forma criminosa. Não tenho dúvida, porque ele está 'saltando' pedaços de terra para aparecer só onde tem mais caça ou perto das fazendas de caça", afirma o médico veterinário Alexander Biondo, um dos autores do estudo.
Registros indicam que os javalis foram trazidos ao Brasil no início do século 20. A partir dos anos 1980, houve uma tentativa de promover criações comerciais de olho no mercado gastronômico de carnes exóticas. Não funcionou. O manejo é difícil, porque apesar de ser da mesma espécie do porco doméstico, trata-se de um animal bastante agressivo e que se multiplica rapidamente.
Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais 'Hoje em Dia' e 'O Tempo' e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.



