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Plataforma inovadora apresenta dinâmica da produção de trigo no Brasil

Ferramenta reúne produção, comércio e indústria e traz cenários para ampliar oferta e buscar autossuficiência no Brasil

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Cenários possíveis para aumento da produção no país também estão disponíveis na ferramenta • Fábio Carvalho / Embrapa

Uma nova plataforma digital retrata a cadeia produtiva do trigo no Brasil em dados e mapas. Lançada pela Embrapa, a plataforma 'Trigo no Brasil' traz informações que abrangem desde a produção no campo e a importação até o processamento nas indústrias e a exportação. O site ainda apresenta uma estimativa inédita da proporção de sistemas de produção irrigados ou de sequeiro na triticultura do Brasil Central. Cenários possíveis para aumento da produção no país também estão disponíveis na ferramenta.

A solução tecnológica detalha dados que podem apoiar políticas públicas e investimentos privados no crescimento das safras de trigo no Brasil. O trabalho conjunto da Embrapa Territorial (SP) e da Embrapa Trigo (RS), com apoio de equipe da sede da Embrapa e da Embrapa Solos (RJ), integra um projeto mais amplo, com recursos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), para incentivo ao cultivo do cereal em ambiente tropical e o alcance da autossuficiência nacional na produção do grão.

Além de produção, importação e exportação, a ferramenta apresenta informações sobre processamento, empregos, histórico de custos e preços e infraestrutura do setor. Os dados, alguns com série histórica desde o início dos anos 2000, são detalhados por microrregiões tanto nas áreas tradicionais do Sul quanto nas regiões de expansão do Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste.

“Durante a construção da plataforma, buscamos identificar a localização dos principais agentes com a intenção de compreender a dinâmica da cadeia, com base em informações sobre a distribuição geográfica, o número desses atores no Brasil e a evolução histórica dos indicadores”, explicou Álvaro Augusto Dossa, analista da Embrapa Trigo.

A ferramenta estruturada nos conceitos de Inteligência Territorial Estratégica (ITE) oferece dados integrados para análises que direcionem ações voltadas à autossuficiência em trigo no Brasil.

Dados completos e criação de série histórica

Uma das vantagens da plataforma é reunir dados sobre o trigo antes dispersos em diferentes órgãos. É o caso do painel sobre produção de sementes. A base de dados está disponível no site do Mapa, em uma planilha na qual se pode conhecer município, área de cultivo, categoria, espécie e cultivar adotada por cada produtor.

Os dados sobre produção, consumo e preços de derivados de trigo foram extraídos manualmente dos anuários da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi) e organizados para a consolidação de uma série histórica. Assim, quem acessa a plataforma pode visualizar rapidamente a evolução da produção e das vendas de biscoitos, massas alimentícias, pães e bolos industrializados e da farinha para o varejo, de 2017 a 2024.

Elos da cadeia produtiva

A plataforma apresenta informações que permitem dimensionar e entender como a cadeia produtiva do trigo se organiza no território. O mapa com a distribuição dos elos na cadeia no país mostra que eles se encontram principalmente no Sul, mas também estão presentes na região Central e no Nordeste.

O detalhamento dos dados mostra que, nos estados nordestinos, há presença de moinhos e de produtores de sementes. Os produtores estão, principalmente, no Oeste da Bahia, área de cerrado onde há o plantio do grão. Os moinhos, por sua vez, estão no litoral. Hilton Silveira explica que eles processam grande parte do trigo importado que entra no país pelos portos da região.

A comparação dos locais de cooperativas e moinhos com as áreas de cultivo, em mapas, revela regiões em que essas estruturas ainda não estão tão presentes nos estados para onde a triticultura se expandiu mais recentemente. A plataforma também mostra em quais regiões há maior ou menor oferta de armazéns do tipo Granel Sólidos, que poderiam estocar trigo.

Comércio internacional

Dados sobre o comércio internacional do trigo também estão na plataforma. Além de volume e valor, mostram as microrregiões brasileiras que recebem ou enviam trigo e derivados para o exterior, assim como os países de origem e destino. Apresentam ainda os portos por onde passa todo esse comércio. Em 2024, o País exportou 2,9 milhões de toneladas de trigo; mais de um terço dessas exportações saiu do Porto de Rio Grande (RS), e o Vietnã foi o principal destino.

As vendas ao exterior concentram-se no trigo em grãos, mas também há registro de embarque de farinha, massas e biscoitos. As importações, em contrapartida, somaram 7 milhões de toneladas e chegaram principalmente da Argentina; a maior parte dos desembarques ocorreu no Porto de Santos.

É possível dimensionar a indústria e o comércio de derivados de trigo com dados disponíveis na ferramenta. A plataforma apresenta o número de estabelecimentos, bem como os empregos a eles vinculados, em três categorias: moagem, fabricação (massas, pães, biscoitos, etc) e comércio (varejo e atacado de cereais e farinhas, além de padarias). Mapas mostram o número de estabelecimentos e de empregos por 100 mil habitantes em cada microrregião do País, para análises que considerem as diferenças de densidade populacional.

Na seção dedicada à Economia da Produção, há dados sobre o histórico das despesas de custeio, valor e preço pago pela produção das lavouras de trigo de 2002 a 2024. Informações sobre seguros agrícolas também podem ser analisadas.

Como aumentar a produção de trigo no Brasil?

A plataforma Trigo do Brasil possui uma seção dedicada ao tema do aumento da produção do cereal no campo. A primeira estratégia explorada é elevar a produção nas áreas já cultivadas. Por isso, a ferramenta apresenta o primeiro painel interativo com a inferência de lacunas de rendimento nos estados do Sul, área tradicional de cultivo.

As lacunas revelam a diferença entre o rendimento obtido e o que poderia ser alcançado com a adoção de tecnologias e manejos otimizados. Esses valores foram estimados microrregião por microrregião. Em cada uma delas, a equipe de pesquisa identificou o maior rendimento de trigo obtido por um dos municípios integrantes. Então, calculou a diferença entre esse valor e o rendimento médio da microrregião.

A plataforma também apresenta possibilidades de expansão das áreas de plantio de trigo nas microrregiões em que há recomendação de cultivo no Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) da cultura. Na região tradicional, projetaram-se cenários com parte das terras destinadas à produção de soja e milho de primeira safra convertidas em lavouras de trigo. Na região de expansão, considerou-se a área de milho de segunda safra. Três cenários foram projetados e apontam potencial de cultivo adicional de 4 a 5 milhões de hectares, tendo como comparação o triênio 2020-2022 e as áreas de soja e milho.

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*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.