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‘Queijo da Copa’: alunos de MG criam iguaria com as cores do Brasil

Iguaria desenvolvida no Instituto Cândido Tostes usa maracujá, pesto e flor exótica para atingir os tons da bandeira nacional

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‘Queijo da Copa’: alunos de MG criam iguaria colorida com maracujá, pesto e flor azul
Marcelo Ribeiro /EPAMIG ILCT

A criatividade e a ciência dos alimentos se uniram em Juiz de Fora para homenagear a Seleção Brasileira. Alunos do curso superior de Tecnologia em Laticínios do Instituto de Laticínios Cândido Tostes (Epamig-ILCT) desenvolveram um queijo especial com as cores verde, amarelo e azul. O projeto nasceu de um desafio lançado em sala de aula e acabou se transformando em uma das grandes atrações do cenário leiteiro.

'Queijo da Copa' produzido pelos alunos do Epamig-ILCT • Marcelo Ribeiro /EPAMIG ILCT
'Queijo da Copa' produzido pelos alunos do Epamig-ILCT • Marcelo Ribeiro /EPAMIG ILCT

O grande diferencial da iguaria está na estética aliada à alta qualidade dos ingredientes: as cores da bandeira nacional foram obtidas sem o uso de qualquer corante artificial. O amarelo vem do maracujá e do urucum, o verde é extraído da clorofila e do molho pesto, enquanto o exótico tom azul foi produzido a partir do pó da flor clitória (conhecida como cunhã).

A iniciativa ganhou força ao coincidir com um semestre movimentado para os estudantes, marcado pelas expectativas para a Copa do Mundo e pela realização do Minas Láctea, um dos maiores encontros do setor de laticínios do país.

O desafio e a lapidação da ideia

Em entrevista à Itatiaia, a professora Denise Sobral, especialista em tecnologia de queijos e orientadora do projeto, contou que a proposta partiu integralmente dos próprios alunos após um desafio lançado por ela no início do ano letivo.

"Produzir esse queijo com os alunos foi uma experiência muito especial. Na verdade, a ideia surgiu em março, no início do semestre. Todo início de semestre eu lanço um desafio de produzir um queijo diferente. Então, este ano eles lembraram que a gente ia ter o Minas Láctea e a Copa do Mundo no meio do ano. Foi daí que partiu a ideia de fazer um queijo com as cores e sabores do Brasil", explicou a professora.

Denise destacou o protagonismo dos estudantes no processo de criação: "a ideia não foi minha, foi dos alunos. Assim que lancei o desafio, na semana seguinte eles já trouxeram essa ideia das cores do Brasil e as sugestões de sabores. Com a minha experiência, fui ajudando a lapidar, dizendo o que poderia dar certo ou não. Eu só servi de apoio para construir essa proposta".

Ciência, testes e harmonização

Até chegar ao produto final, o grupo passou por uma série de testes. Inicialmente, a proposta era utilizar apenas o maracujá e o pesto, mas o resultado visual não foi o esperado. Foi aí que entrou a ciência dos corantes naturais.

Para que as cores ficassem bem definidas e o sabor equilibrado, a estrutura do queijo foi minuciosamente planejada:

  • Camada amarela: saborizada com maracujá e colorida com urucum;
  • Camada verde: saborizada com molho pesto e colorida com clorofila;
  • Camadas azul e branca: mantidas com sabor neutro para não saturar o paladar.

O processo de fabricação exigiu paciência e precisão técnica. "Deu trabalho. Tivemos que fazer quatro fabricações diferentes, em quatro tanques separados: um sem cor (branco), um com urucum (amarelo), um com o corante da flor (azul) e outro à base de clorofila (verde)", revelou Denise.

A professora também explicou o segredo para garantir o sabor das frutas e ervas na massa: "o tempero do maracujá e do pesto colocamos só no final. Se colocássemos o maracujá direto no leite, o sabor poderia sair todo no soro. Então, depois que tiramos o soro e estávamos apenas com a massa, é que saborizamos. Fomos construindo as camadas dentro da forma e deu esse resultado que achamos muito bonito".

Inspiração francesa e estreia no Minas Láctea

O "Queijo da Copa" foi inspirado no tradicional Morbier, um queijo de origem francesa conhecido por levar uma camada de cinzas vegetais no meio. Por ser um queijo maturado, ele necessita de tempo para apurar o sabor e a textura ideal — no caso do projeto mineiro, o tempo de cura é de dois meses.

O cronograma foi calculado milimetricamente para coincidir com o grande evento do setor. O queijo completará o período de maturação exatamente na semana do Minas Láctea, que acontece entre os dias 14 e 16 de julho.

O produto não será comercializado devido às complexas exigências legais e de registro de rótulo, mas estará acessível ao público de forma exclusiva. O queijo ficará exposto no estande da Expolac durante o evento e, no último dia, será cortado para uma degustação coletiva.

"Convidamos todos que se interessaram para ir lá ver e, no último dia, provar junto com a gente. Vamos abrir a degustação para o público e os alunos estarão lá para dar informações. Se algum produtor de queijo se interessar em fabricar no seu próprio laticínio e registrar o produto, os alunos vão estar apostos para ensinar e passar essa experiência", finalizou Denise Sobral.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.