Castanha de Baru do Cerrado Mineiro chega à Europa em exportação histórica
Copabase realiza o primeiro embarque direto para a Áustria após liberação da União Europeia

A castanha de baru produzida no Cerrado Mineiro rompeu uma nova fronteira no mercado internacional. A Cooperativa Regional de Base na Agricultura Familiar e Extrativismo (Copabase) concluiu sua primeira exportação direta do produto para a Áustria. O envio inicial de 200 quilos da oleaginosa marca um capítulo inédito para a sociobioeconomia brasileira e abre as portas do continente europeu para centenas de famílias extrativistas de Minas Gerais.
A operação é a primeira comercialização da cooperativa rumo à Europa após a União Europeia autorizar a importação de castanhas torradas de baru, em julho de 2025. O mercado europeu se mostrou altamente atrativo: a venda para a Áustria remunerou o baru convencional em 25% a mais na comparação com outros destinos internacionais atendidos anteriormente pela cooperativa, como Estados Unidos, Canadá e Dubai (Emirados Árabes Unidos).

O avanço é fruto de uma rede de parcerias estratégicas que envolveu entidades como Sebrae Minas, Funbio, WWF-Brasil, Fundação Banco do Brasil e Central do Cerrado para estruturar a gestão, a rastreabilidade e a adequação sanitária da cadeia produtiva.
"O embarque para a Europa representa a concretização de um sonho construído por muitas mãos. Cada quilo exportado carrega a história das famílias que coletam, beneficiam e conservam o Cerrado", destacou Dionete Figueiredo, gestora da Copabase.
Da feira na Alemanha ao prêmio em São Paulo
O caminho até o mercado austríaco foi pavimentado por meio de estratégias de inserção comercial global. Um dos marcos dessa trajetória foi a participação da Copabase na BIOFACH, na Alemanha — a maior feira mundial de produtos orgânicos —, onde a castanha de baru foi apresentada a compradores e distribuidores europeus focados em sustentabilidade.
"O Sebrae Minas teve papel fundamental ao apoiar a estruturação da cooperativa para novos mercados, por meio de consultorias, capacitações e ações voltadas à promoção comercial nacional e internacional", explica o analista da entidade, Marcos Elias.
Além do sucesso na Europa, a inovação com a matéria-prima regional também conquistou os holofotes nacionais. Durante a NaturalTech 2026, realizada de 10 a 13 de junho em São Paulo, a Copabase — no estande da Sociobiodiversidade junto à Central do Cerrado — conquistou o 2º lugar na categoria alimentos no Wellnow Bio Brazil Fair Awards/2026. O prêmio foi concedido ao Baru Drageado 70% Cacau, produto que une identidade territorial e valor agregado.
Impacto social e conservação ambiental
O avanço comercial consolida a castanha de baru como um dos pilares econômicos da agricultura familiar no Noroeste de Minas Gerais, especialmente no território do Urucuia Grande Sertão Veredas. Atualmente, a cultura da castanha responde por aproximadamente 50% do faturamento da Copabase.
O peso do baru na região:
- Famílias impactadas: cerca de 300 famílias geram renda direta e indireta com o extrativismo.
- Volume anual: a cooperativa beneficia e comercializa em torno de 15 toneladas de castanha de baru por ano.
Os resultados demonstram como o investimento em inteligência de mercado e práticas sustentáveis consegue gerar desenvolvimento socioeconômico duradouro, mantendo a floresta em pé e valorizando as comunidades tradicionais do Cerrado mineiro.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



