Força-tarefa do MAPA apreende 36 toneladas de arroz e feijão em SP
Operação em seis municípios paulistas encontrou insetos vivos, grãos sem origem comprovada e empacotadora sem registro

Uma força-tarefa do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apreendeu cerca de 36 toneladas de arroz e feijão com graves irregularidades estruturais e sanitárias no estado de São Paulo. A operação, coordenada pelo Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov), fiscalizou estabelecimentos de beneficiamento e empacotamento de cereais em seis municípios paulistas: Itu, Sorocaba, Campinas, Rio Claro, Cerquilho e Elias Fausto.
As ações tiveram como foco principal a verificação da qualidade, da rastreabilidade e da conformidade regulatória dos alimentos. Durante as vistorias, os auditores fiscais federais agropecuários analisaram a documentação das empresas, as condições físicas das instalações, os processos produtivos e a comprovação de origem das mercadorias. Diante do volume de problemas encontrados, uma das empresas teve a produção suspensa cautelarmente.
Insetos vivos e feijão sem origem controlada
Nos municípios de Itu, Campinas e Sorocaba, as vistorias resultaram na apreensão de aproximadamente 30 mil quilos de feijão. O lote não possuía comprovação de origem e apresentava indícios severos de falhas na rastreabilidade.
Risco sanitário: além da falta de documentação, parte dos grãos retidos continha insetos vivos, o que descumpre frontalmente os padrões de identidade e qualidade exigidos para o consumo humano e a comercialização no país.

Falta de registro e ausência de classificação em arroz
Nas inspeções realizadas em Rio Claro, Elias Fausto e Cerquilho, os auditores fiscais monitoraram 139,1 mil quilos de arroz. O balanço do circuito nessas cidades incluiu:
- Apreensão de grãos: 6 mil quilos de arroz foram retidos em um estabelecimento que operava sem o registro obrigatório junto ao Mapa para a atividade de empacotamento.
- Apreensão de material: 24 bobinas de embalagens foram confiscadas e inutilizadas pelas autoridades.
A fiscalização constatou que os grãos dessas marcas não passavam pelo processo compulsório de classificação antes de irem para as prateleiras, o que inviabilizava a identificação real da qualidade do alimento entregue ao mercado consumidor.

Monitoramento de resíduos e mercado leal
Como parte dos programas oficiais de controle de contaminantes e qualidade, a força-tarefa coletou 20 amostras de produtos nacionais e importados ao longo de toda a operação. O material foi encaminhado para análises laboratoriais especializadas, que vão certificar a segurança química e biológica dos alimentos.
Segundo o Mapa, a ação integrada visa blindar a saúde do consumidor brasileiro, assegurar a padronização regulatória dos alimentos e proteger o mercado por meio da livre concorrência leal, penalizando os estabelecimentos que tentam operar à margem das leis agropecuárias vigentes.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



