MAPA instala armadilha em SP para detectar praga devastadora de palmeiras
Besouro destrói plantações por dentro e ameaça culturas como coco e dendê; dispositivo foi colocado em Taubaté (SP) após suspeitas de que o inseto entrou no país.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) instalou uma armadilha estratégica em uma área da Universidade de Taubaté (Unitau), no interior de São Paulo. A força-tarefa tem um objetivo de monitorar a possível presença do bicudo-vermelho-das-palmeiras (Rhynchophorus ferrugineus), um inseto considerado devastador.
Embora o Brasil ainda não tenha nenhum registro oficial do besouro — o que o classifica tecnicamente como uma praga quarentenária ausente —, autoridades decidiram agir preventivamente após surgirem suspeitas de que o inseto possa ter entrado ilegalmente no país.
Como funciona o monitoramento em Taubaté
A operação foi conduzida pelo Departamento de Sanidade Vegetal (DSV) com o apoio das superintendências regionais do Mapa em Guaratinguetá e São José do Rio Preto, além do Departamento de Agronomia da Unitau.
Os detalhes do plano de monitoramento incluem:
- O dispositivo: a armadilha instalada utiliza uma combinação de atrativos alimentares e sexuais (feromônios) para atrair e capturar o inseto.
- O local: o campus da Unitau foi escolhido estrategicamente por apresentar um ambiente seguro e alta densidade de plantas hospedeiras.
- Duração: o monitoramento será feito semanalmente ao longo de três meses, período máximo de eficácia e durabilidade da isca.

O perigo econômico por trás do inseto
O bicudo-vermelho-das-palmeiras representa uma grave ameaça para o agronegócio nacional por atacar culturas de alto valor econômico, como coqueiros, dendezeiros (óleo de palma) e tamareiras.
O grande perigo está nas larvas do inseto: elas escavam galerias profundas no interior do tronco (estipe) das plantas e destroem o meristema apical, a região responsável pelo crescimento. Esse ataque impede o nascimento de novas folhas e, na grande maioria dos casos, causa a morte inevitável da palmeira.
Próximos passos e plano de contingência
As autoridades federais informaram que, caso novas suspeitas apareçam em território paulista, o cerco será ampliado com a instalação de armadilhas em outras regiões do estado.
Paralelamente à vigilância em Taubaté, o DSV já trabalha na redação de um plano de contingência nacional. O documento vai desenhar as diretrizes para um monitoramento em larga escala e estabelecer as medidas imediatas de controle e erradicação caso a presença do bicudo-vermelho seja oficialmente confirmada no Brasil.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



