'Os pequenos produtores brasileiros que se virem', critica Valdir Barbosa
Especialista em agronegócio afirma que o governo recuou de tarifas sobre leite após reação da Argentina e diz que produtores nacionais ficaram desprotegidos

O colunista da Itatiaia e especialista em agronegócio Valdir Barbosa afirmou nesta sexta-feira (17) que o governo brasileiro adota posições diferentes ao reagir às tarifas impostas por outros países aos produtos nacionais. Segundo ele, as críticas se concentram nos Estados Unidos, enquanto medidas semelhantes adotadas por outros parceiros comerciais não recebem o mesmo tratamento.
Ao comentar a tarifa de 50% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Barbosa afirmou que "o governo brasileiro deveria explicar aos exportadores por que Donald Trump sempre foi tão atacado por causa de tarifação". Em seguida, ponderou: "Não estou aqui dizendo que o Trump está certo".
O especialista também citou a China. Segundo ele, o presidente Xi Jinping "jamais recebeu qualquer crítica do governo brasileiro" após a imposição de uma tarifa de 67% sobre a carne bovina brasileira.
Barbosa afirmou que a medida chinesa interrompeu os embarques do produto para Pequim e disse que esse cenário "está começando a causar problema no mercado interno", situação que, segundo ele, "pode ser amenizada a partir de agora com as exportações para os Estados Unidos sem tarifas".
O colunista também criticou a relação comercial entre Brasil e União Europeia. De acordo com ele, o bloco europeu deixará de importar carne bovina brasileira a partir de 3 de setembro e poderá manter a restrição até 2030.
Na avaliação de Barbosa, a situação decorre de "negligência do governo", que, segundo ele, não cumpriu exigências previstas pela União Europeia desde 2019 sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.
Ele também rebateu a justificativa atribuída ao governo de que os produtores rurais seriam responsáveis pelo problema. "Não é verdade que o produtor seja culpado", afirmou. Segundo Barbosa, apenas em 15 de maio deste ano o Ministério da Agricultura publicou portaria proibindo a fabricação, importação e comercialização desses antimicrobianos, permitindo, no entanto, o uso dos estoques existentes até setembro.
Por fim, o especialista criticou a criação de tarifas sobre a importação de leite em pó da Argentina e do Uruguai. Segundo ele, o governo brasileiro estabeleceu uma tarifa de 120% para o produto argentino e de 110% para o uruguaio.
Barbosa afirmou que, após a medida, o presidente argentino Javier Milei ameaçou aplicar tarifas sobre motores, peças e caminhões de carga importados do Brasil. Segundo ele, diante da reação argentina, "o decreto foi colocado na gaveta, suspenso antes de entrar em vigor", e concluiu que "os pequenos produtores brasileiros que se virem".
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