Novo Centro de Treinamentos capacita profissionais para as novas tecnologias de irrigação
Unidade em Uberaba (MG) recebeu investimento de R$ 1,2 milhão e deve capacitar 400 pessoas por ano

Com o avanço da tecnologia de irrigação no Brasil, surge um novo desafio para o agronegócio: formar profissionais capazes de operacionalizar e transformar os dados coletados em resultados dentro da propriedade. Visando atender a este público, a Valley, empresa da Valmont Industries, inaugurou em Uberaba (MG) um novo Centro de Treinamentos em Irrigação.
O projeto recebeu um investimento inicial de aproximadamente R$ 1,2 milhão. Instalado na Cidade do Agro, da Uniube, o centro de treinamentos pretende capacitar cerca de 400 pessoas por ano e já está em operação. Atualmente, a estrutura oferece apenas cursos presenciais, porém, com o tempo, o projeto deve garantir uma programação mais ampla, com atividades presenciais, híbridas e conteúdos digitais.
O primeiro portfólio reúne 24 treinamentos prioritários, que passam por projetos de irrigação, operação, manutenção, tecnologia, vendas, gestão, serviços, manejo e aftermarket. A programação estruturada será lançada em 2027.
Para Carlos Augusto Ferreira, gerente de projetos na Valley e responsável pelo Centro, a mudança no perfil dos sistemas de irrigação exige também uma transformação na formação dos profissionais. “Tecnologia, por si só, não transforma a agricultura. A transformação ocorre quando pessoas qualificadas conseguem convertê-la em resultado”, afirmou.
Segundo Ferreira, conhecer apenas a parte mecânica de um equipamento já não é suficiente. O profissional da agricultura irrigada passa a precisar integrar conhecimentos de hidráulica, eletricidade, agronomia, automação, conectividade, análise de dados, manutenção e gestão.
Aprendendo na prática
Um dos pilares do novo centro é reduzir a distância entre aprender um conceito e conseguir aplicá-lo em uma situação real. Os participantes poderão trabalhar com equipamentos, componentes, sistemas de controle, ferramentas de diagnóstico, softwares e situações semelhantes às encontradas em propriedades irrigadas.
Na prática, conceitos como lâmina de água e pressão poderão ser relacionados diretamente ao funcionamento de um pivô. Sensores, informações climáticas, umidade do solo e dados da cultura poderão ser analisados dentro do processo de decisão sobre quando e quanto irrigar.
A capacitação também pretende alcançar diferentes etapas da cadeia. O público inclui produtores rurais, operadores, técnicos de campo, projetistas, engenheiros, agrônomos, gestores agrícolas, profissionais de serviços, além de estudantes.
“A irrigação está passando por uma transformação importante. O equipamento físico continua sendo fundamental, mas estará cada vez mais conectado a sensores, plataformas digitais, dados agronômicos, automação e sistemas de apoio à decisão. Desenvolver tecnologia sem desenvolver pessoas criaria um desequilíbrio”, explicou Ferreira.
Um projeto hidráulico corretamente dimensionado pode evitar perdas; a manutenção preventiva pode preservar a uniformidade da aplicação e a disponibilidade dos equipamentos; operadores capacitados podem identificar problemas antes de falhas mais graves; e gestores podem utilizar informações sobre clima, solo e cultura para tomar decisões mais precisas.
“Mais conhecimento leva a melhores decisões, que permitem melhor utilização dos sistemas e aumentam a possibilidade de eficiência hídrica, energética, operacional e agronômica. É assim que a capacitação deixa de ser apenas um curso e passa a ter impacto econômico dentro da propriedade”, concluiu.
*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.



