Mudança de uso da terra contribui para estoque de carbono no solo, aponta estudo
A pesquisa analisou a conversão de floresta da Mata Atlântica em pastagens não manejadas, que influencia retirar CO2 da atmosfera

Um estudo feito por pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios – APTA e da Embrapa Meio Ambiente, contribuiu para entender como a mudança do uso da terra impacta os estoques de carbono do solo no Brasil e sua relação com as mudanças climáticas globais.
A pesquisa analisou a conversão de floresta da Mata Atlântica em pastagens não manejadas e, posteriormente, a conversão dessas áreas em lavouras de soja ou em sistemas integrados de lavoura, pecuária e floresta (iLPF) - estratégia de produção que integra diferentes sistemas produtivos, agrícolas, pecuários e florestais dentro de uma mesma área.
O trabalho apontou que as conversões de floresta para pastagem e de pastagem para usos agrícola ou sistema de integração influenciam o estoque de carbono no solo.
Os pesquisadores utilizaram imagens do Google Earth e análises laboratoriais e observaram impactos ao longo de 39 anos, evidenciando a interferência de efeitos de borda nos fragmentos de floresta e a contribuição dos sistemas conservacionistas para o sequestro de carbono.
'Já a mudança de uso da terra de pastagem para o sistema iLPF elevou os estoques de C ao longo do perfil do solo até 1 m de profundidade, indicando boa contribuição para o sequestro de C e colocando o sistema integrado com alternativa no combate ao desafio climático. O iLPF demonstrou taxa média de acúmulo de carbono no solo 5 ton por ha ano. Em contraste, o cultivo de soja em plantio direto manteve o estoque de C do solo sob pastagem, sem ganhos ou perdas'
Especialistas alertam que a mudança do uso da terra foi responsável por 41,4% das emissões totais do setor agropecuário no Brasil. Desde 1750, a concentração de CO₂ na atmosfera aumentou, mas parte desse carbono pode ser capturada pelo solo e pelos oceanos.
Estratégias que incentivem a adoção de sistemas sustentáveis são fundamentais para mitigar os impactos ambientais da agropecuária e garantir a produção agrícola a longo prazo.
O estudo faz parte do projeto “Melhorando o manejo da pastagem como 'solução baseada na natureza' para sequestro de carbono no solo" e é financiado pela Shell e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



