MG amplia produção de algodão e fortalece certificações por competitividade

Medidas como o vazio sanitário e os programas de certificação contribuem para o controle fitossanitário

IMA realiza fiscalizações por amostragem nas propriedades que cultivaram algodão

Minas Gerais é o quarto maior produtor de algodão do Brasil, com 145 mil toneladas cultivadas até o momento, quase 21 mil toneladas a mais que no ano anterior. As exportações do produto ultrapassaram US$ 35 milhões (R$ 185,5 milhões), segundo dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). Esse resultado é incentivado por ações de defesa sanitária e programas de certificação conduzidos pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA).

Entre as ações essenciais para manter a competitividade e proteger as lavouras, está o vazio sanitário do algodão, realizado anualmente de 20 de setembro a 20 de novembro. Durante esse período, é proibido o cultivo e obrigatório o manejo adequado dos restos culturais e soqueiras, interrompendo o ciclo reprodutivo do bicudo-do-algodoeiro, uma das principais pragas que afetam a cultura.

O IMA realiza fiscalizações por amostragem nas propriedades que cultivaram algodão na última safra e notifica produtores que não cumprem a norma. O descumprimento pode resultar em autuações e processos administrativos. Além das ações de campo, o instituto promove campanhas de conscientização por meio de rádios, redes sociais e reuniões setoriais, reforçando a importância da adesão às medidas preventivas para garantir a sanidade das lavouras e a sustentabilidade da cadeia produtiva.

Certificação é valor e oportunidade

O fortalecimento da cotonicultura mineira e sua consolidação nos mercados globais também são impulsionados pelos programas de certificação. O estado conta com duas certificações voltadas ao setor: a Certificação de Origem e Qualidade, realizada pelo IMA por meio do Programa Proalminas, e a Certificação de Algodão, do Programa Certifica Minas.

A Certificação de Origem e Qualidade tem como base a validação dos laudos de classificação da fibra, realizados pelo laboratório Minas Cotton, da Associação Mineira de Produtores de Algodão (AMIPA). Ela traz benefícios diretos para toda a cadeia produtiva: os produtores recebem ágio médio de 7,85% sobre o algodão certificado vendido às indústrias mineiras e estas, por sua vez, obtêm isenção do ICMS ao adquirir algodão certificado pelo IMA.

Em 2024, foram emitidos mais de 1.600 certificados de origem e qualidade, totalizando quase 450 mil toneladas de algodão certificado. Em 2025, o processo ainda está em andamento e já alcançou mais de 1.900 certificados, somando quase 32,7 mil toneladas.

Já a Certificação de Algodão garante o cumprimento de normas de higiene, segurança alimentar, ambientais e trabalhistas, alinhando a produção mineira aos padrões internacionais de qualidade. Além do algodão, o Certifica Minas abrange outros produtos, como mel, ovo caipira, frango caipira, leite, carne bovina, queijos artesanais, azeite, hortaliças, frutas, produtos vegetais sem agrotóxicos (SAT), orgânicos, cachaça e café.

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*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.

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