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Mães da pecuária: força feminina molda a sucessão e a gestão no campo em MT

Instituto Mato-grossense da Carne (Imac) contou histórias de produtoras que revelam como a dedicação à família e aos negócios consolidou o estado como potência global

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Mães da pecuária: força feminina molda a sucessão e a gestão no campo em MT
Mulheres pecuaristas foram peças-chave para transformar o estado em uma das maiores referências mundiais • Balbino Agro Filmes

Muito antes de Mato Grosso se tornar o epicentro do agronegócio brasileiro, a presença feminina já pulsava nos bastidores das propriedades rurais. Entre planilhas de custos, o manejo do gado e a educação dos filhos, mulheres pecuaristas foram peças-chave para transformar o estado em uma das maiores referências mundiais na produção de proteína vermelha.

Um exemplo emblemático dessa trajetória é a produtora Leane Altmann, de Nova Mutum. Segundo o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Leane representa uma geração que migrou do Sul do país no final da década de 80, trocando o conhecido pelo desafio de desbravar o interior mato-grossense.

 

O equilíbrio entre a 'porteira' e o lar

A trajetória de Leane foi marcada pela versatilidade. Inicialmente focada na agricultura ao lado do marido, a família expandiu os negócios para a pecuária com uma propriedade em Santa Rita do Trivelato.

Durante esse período, Leane Altmann administrou as áreas administrativa e financeira da propriedade enquanto os filhos ainda eram pequenos, conciliando as demandas do lar com a gestão burocrática dos negócios. Sua atuação se estendeu para além da porteira ao assumir a liderança setorial como presidente do Sindicato Rural de Nova Mutum, fortalecendo a representatividade feminina na região.

Ao mesmo tempo, ela conduziu a maternidade com foco na sucessão, educando três filhos que hoje seguem os passos dos pais. Em depoimento ao Imac, a produtora destacou que a transição geracional ocorreu de forma natural e fundamentada na valorização da vida no campo, afirmando sentir um profundo orgulho ao ver os filhos satisfeitos com a atividade pecuária.

“Hoje vejo meus filhos com orgulho da atividade e isso me deixa muito satisfeita como mãe”, afirmou Leane ao Imac, destacando que a sucessão familiar ocorreu de forma natural e com base na valorização da vida no campo.

Tecnologia e valorização: o novo cenário

Para a produtora, o setor passou por uma revolução cultural. A pecuária moderna, hoje impregnada de tecnologia, elevou o status do produtor rural e fortaleceu o desejo das novas gerações de permanecerem na atividade. Contudo, os desafios permanecem, especialmente no controle de custos e nas oscilações do mercado. "Trabalho com agropecuária por opção. É uma atividade que precisa dar resultado, mas que também traz satisfação pessoal", pontua.

Mulher como protagonista do agro

A ascensão feminina nas fazendas de Mato Grosso não é apenas figurativa; é estratégica. Paula Sodré Queiroz, diretora executiva do Imac, ressalta que a mulher pecuarista hoje ocupa o centro das decisões. “A mulher pecuarista de Mato Grosso hoje não é apenas coadjuvante. Ela planeja, decide e sustenta negócios. É uma das grandes forças do nosso agro”, destacou a diretora.

*Conteúdo produzido com informações originais do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac).

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde