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Liderança feminina no cooperativismo do café mineiro atrai missão internacional da Ásia a Minas

Delegação de cinco países percorreu Guaxupé, Poço Fundo e Três Pontas para conhecer iniciativas da Cooxupé, Coopfam e Cocatrel que impulsionam a gestão feminina e a exportação de cafés especiais

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Liderança feminina no cooperativismo do café mineiro atrai missão internacional da Ásia a Minas
Divulgação/ Coopfam/ SistemaOcemg

Minas Gerais consolidou sua posição de destaque internacional na valorização do protagonismo feminino no agronegócio. Entre os dias 20 e 22 de outubro, uma comitiva internacional com representantes dos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário do Camboja, Laos, Mianmar, Timor-Leste e Vietnã percorreu o estado para conhecer de perto três experiências de sucesso em cooperativas cafeeiras do Sul e Sudoeste mineiro.

A visita fez parte de um programa de cooperação entre o Brasil e a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), liderado pelo Sistema OCB, entidade que representa o cooperativismo nacional, em parceria com o Sistema Ocemg. O roteiro também contemplou agenda em Brasília, com visita à Associação e Cooperativa Recicle a Vida, em Ceilândia (DF).

Boas práticas no Sul e Sudoeste de Minas

A imersão técnica começou em Guaxupé, no Sudoeste do estado, onde a delegação asiática conheceu o projeto Donas do Café, desenvolvido pela Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé). A iniciativa oferece capacitação, suporte técnico e canais dedicados para a comercialização dos cafés especiais produzidos pelas cooperadas.

Na sequência, em Poço Fundo, no Sul de Minas, o grupo visitou o Mulheres Organizadas em Busca de Igualdade (MOBI). Fundado em 2006 pela Cooperativa dos Agricultores Familiares de Poço Fundo e Região (Coopfam), o grupo é pioneiro no fortalecimento da autonomia e na busca por igualdade de oportunidades para as agricultoras familiares da região.

A rota finalizou em Três Pontas, com a apresentação do Cafeína, movimento criado pela Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas (Cocatrel). Com mais de 3 mil cooperadas, a rede foca em capacitação técnica e gerencial para acelerar a gestão feminina nas propriedades rurais. O projeto conta com uma linha exclusiva de cafés especiais produzidos por mulheres, cujos grãos já são exportados para mais de 25 países.

Avanço representativo e alinhamento com a ONU

O intercâmbio de conhecimento ocorre em um momento emblemático: 2026 foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional da Mulher Agricultora, dedicado a evidenciar o papel feminino na segurança alimentar global e a mitigar gargalos históricos. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que as mulheres compõem 36% da força de trabalho nos sistemas agroalimentares da América Latina e do Caribe, enfrentando ainda restrições no acesso a crédito, tecnologia e posições de liderança.

Em Minas Gerais, contudo, o cooperativismo tem transformado esse cenário. O estado conta atualmente com 28 comitês locais de mulheres cooperativistas e um comitê consultivo estadual, focado na formação contínua e no fortalecimento da representatividade.

"Nos últimos cinco anos, a presença feminina na direção das cooperativas passou de 15,6% para quase 22%. Nosso compromisso é dar continuidade a esse avanço, ampliando as oportunidades para que mais mulheres ocupem espaços na produção, na gestão e nas decisões das nossas organizações", enfatizou Ronaldo Scucato, presidente do Sistema Ocemg.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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