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Dia da Mulher Rural: conquistas, modernização e a força feminina que acelera o agro brasileiro

Celebrado em 15 de outubro, o Dia Internacional da Mulher Rural destaca a ascensão feminina em cargos de gestão, adoção de tecnologia e excelência premiada internacionalmente, unindo inovação e sustentabilidade

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Dia da Mulher Rural: conquistas, modernização e a força feminina que acelera o agro brasileiro
Raquel Faria. Nathalia Oliveira, Christiane Brandão e Amanda Lacerda • Arquivo

Celebrado anualmente em 15 de outubro, o Dia Internacional das Mulheres Rurais foi proclamado pela Organização das Nações Unidas (ONU) por meio da Resolução 62/136. A data nasceu para conscientizar a sociedade sobre o papel decisivo das trabalhadoras do campo na segurança alimentar, no desenvolvimento sustentável e na preservação da biodiversidade global. Em 2026, a celebração ganha projeção ainda maior com o marco do Ano Internacional da Mulher Agricultora (IYWF 2026), também instituído pela ONU, que reforça o compromisso global por políticas, investimentos e condições equitativas no meio rural.

Mulheres vão e vêm diariamente pelas lavouras do Brasil, pilotando maquinários de alta precisão, gerando dados de mercado, analisando a qualidade das colheitas e conduzindo finanças e contratos estratégicos. Muitas inspiraram-se em suas mães; outras tornaram-se as primeiras de suas famílias a assumir o comando integral da propriedade. Esse movimento contemporâneo só foi possível graças à coragem das pioneiras, reafirmando que nenhum presente se constrói sem a presença e a resistência das mulheres do passado.

40% das decisões do campo já têm assinatura feminina

A liderança feminina deixou de ser uma exceção pontual para se consolidar como um dos motores de modernização do setor produtivo nacional. O estudo “Perfil da Mulher do Agronegócio Brasileiro: 10 anos de transformação e avanços”, publicado pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) em parceria com a Serasa Experian, a Fran6 Pesquisa e o Sistema FAESP/SENAR, aponta que as mulheres já representam 40% dos 10,7 milhões de produtores rurais decisores no país. Além disso, mais de 816 mil produtoras atuam como codiretoras, compartilhando as decisões de igual para igual nas propriedades.

"Nos últimos dez anos, a mulher ampliou sua presença nas decisões estratégicas e conquistou espaço na propriedade. Os dados mostram uma transformação que envolve formação, tecnologia, gestão e acesso ao crédito. Homens e mulheres não competem no campo; eles se complementam", completou Gislaine Balbinot, diretora executiva da ABAG.

Histórias de liderança: da superação pessoal aos prêmios internacionais

Os números nacionais refletem histórias reais de resiliência e inovação espalhadas pelos polos agrícolas do país:

  • Queijo Maria Nunes (Santo Antônio do Itambé/ MG)

Após o falecimento do pai, em um período em que não participava da administração por ser mulher, a graduada em Sistemas de Informação Christiane Brandão, de 43 anos, deixou a capital mineira para assumir a Fazenda Maria Nunes. Ao lado da filha, Jady Brandão, profissionalizou o manejo e conquistou a medalha de ouro no prestigiado Mondial du Fromage et des Produits Laitiers de Tours, na França.

Christiane Brandão, do queijo Maria Nunes • Maíra Cabral / Secult-MG.
Christiane Brandão, do queijo Maria Nunes • Maíra Cabral / Secult-MG.

Fazer parte desses 40% significa mostrar que a mulher tem competência, capacidade de gestão, visão de negócio e de construir uma atividade rural sustentável. Não precisamos deixar de ser mulher para ser uma boa gestora. Comece, mesmo que ainda não se sinta pronta!

— Christiane Brandão, produtora e empresária do Queijo Maria Nunes
  • Fazenda Santiago (São Roque de Minas/ MG)

Representante da 6ª geração de queijeiros da Canastra, Raquel Costa Faria, de 49 anos, conquistou espaço em uma trajetória familiar historicamente liderada por homens. Colecionando medalhas de ouro e prata no Mundial do Queijo do Brasil, Raquel utilizou a conectividade para incluir a propriedade na Rota do Queijo de Minas e posicionar a marca nos canais de vendas online.

Raquel Costa Faria, do Queijo Fazenda Santiago • Raquel Costa Faria, do Queijo Fazenda Santiago
Raquel Costa Faria, do Queijo Fazenda Santiago • Raquel Costa Faria, do Queijo Fazenda Santiago

Antigamente a mulher não tinha direito a nada. Hoje a mulher assume o trator, o leite, o café, a soja, faz três coisas em uma hora só e resolve tudo. O desafio é enfrentar o preconceito, provando a nossa capacidade de direcionar grandes negócios

— Raquel Costa Faria, produtora artesanal e proprietária da Fazenda Santiago
  • Onofre Cafés Especiais (Espera Feliz/ MG)

Aos 25 anos, a tecnóloga em cafeicultura Amanda Evaristo Lacerda comanda a gestão da Onofre Cafés Especiais e a cafeteria da marca. Neta do lendário Seu Onofre, ela alcançou a marca histórica de 94,33 pontos no Concurso Rituais 85+ Florada Premiada da Três Corações, a maior pontuação registrada na competição.

Amanda Lacerda, neta do seu Onofre, campeã com nota recorde • Giullia Gurgel/ Itatiaia
Amanda Lacerda, neta do seu Onofre, campeã com nota recorde • Giullia Gurgel/ Itatiaia

Ainda precisamos provar nossa capacidade com mais frequência, mas isso nos fortalece. O agro também é lugar de mulher

— Amanda Lacerda, cafeicultora e campeã do Florada Premiada
  • Café Campos Altos (Campos Altos/ MG)

À frente do Café Campos Altos há 16 anos, a empresária Nathalia Oliveira expandiu a atuação da família do manejo no campo e pós-colheita até o beneficiamento, torra e exportação direta. A empresa estabeleceu estruturas próprias nos Estados Unidos e na Alemanha, levando o café mineiro aos cinco continentes.

Nathalia Oliveira, do Café Campos Altos • Arquivo/ Cedida à Itatiaia
Nathalia Oliveira, do Café Campos Altos • Arquivo/ Cedida à Itatiaia

Ter um número cada vez mais expressivo de mulheres participando das decisões mostra o quanto o agro está se tornando mais completo. A mulher traz uma visão diferente e sensibilidade para as relações humanas que interferem diretamente no negócio. Para quem quer começar: foque no planejamento e vá!

— Nathalia Oliveira, empresária de café

 

Desafios estruturais e desigualdade salarial

Apesar das conquistas em produtividade e sustentabilidade, barreiras culturais e financeiras persistem no meio rural. Dados da ONU de 2023 para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apontam que as mulheres no setor agrícola ainda enfrentam uma disparidade salarial média de 20% a menos em relação aos homens para funções equivalentes.

Superar a dupla jornada de trabalho, expandir o acesso ao crédito formal e garantir representatividade nas entidades de classe permanecem como pautas centrais para o consolidado protagonismo feminino na agricultura brasileira.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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