Julho no campo: como o clima afeta sua lavoura e pecuária?
Escassez de chuvas podem prejudicar culturas em algumas regiões, enquanto excesso de precipitação e baixas temperaturas podem impactar agronegócio no Sul

Com clima seco e baixas temperaturas, o inverno exige cuidados especiais para a lavoura e pecuária. Outra preocupação é presença de geada, formação de gelo em plantas e superfícies.
Segundo o prognóstico climático Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) de julho, a previsão de aumento das temperaturas e menor regularidade das chuvas podem comprometer as culturas permanentes e as pastagens no centro-sul do Pará, especialmente nas áreas com baixa reposição hídrica. Também há risco para o desenvolvimento de culturas irrigadas com alta demanda evaporativa.
As chuvas previstas acima da média em áreas da região do SEALBA (região que abrange Sergipe, Alagoas e Bahia) podem beneficiar a safra do feijão e do milho terceira safras. Na região do MATOPIBA (região que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), o risco de estresse hídrico é maior, sobretudo para as lavouras de milho que estão em fase de floração.
Na Região Centro-Oeste, a escassez de chuvas ao longo do mês pode favorecer as atividades de colheita do milho segunda safra e do algodão, assim como a colheita de café e cana-de-açúcar na região Sudeste. Entretanto, as altas temperatura e a baixa umidade relativa aumentam a demanda evaporativa, o que requer a necessidade de um manejo cuidadoso do solo. Embora a previsão aponte temperaturas acima da média para estas regiões, não se descarta a possibilidade de declínio da temperatura e formação de geadas, que podem causar danos pontuais ao milho segunda safra ainda em estádio reprodutivo, mas também favorecer o trigo em fase inicial de desenvolvimento.
Na Região Sul, a ocorrência de chuvas durante o mês de julho pode dificultar a semeadura e o estabelecimento inicial dos cultivos de inverno. Além disso, a previsão de temperaturas mais baixas aumenta a probabilidade de geadas, que podem representar risco às culturas mais sensíveis, como hortaliças e frutíferas.
Como minimizar efeitos da geada no campo?
Na agricultura, a geada é um fenômeno que provoca a morte de plantas ou de partes delas - como folhas, caule, frutos, ramos - devido à baixa temperatura do ar, que leva ao congelamento dos tecidos vegetais, podendo ou não formar gelo sobre a planta.
A geada se forma quando a temperatura do ar cai abaixo de 0°C, que é a temperatura de congelamento da água. A morte das plantas pode ser causada devido aos ventos muito frios ou pelo resfriamento causado pelo ar seco.
Como minimizar efeitos?
Algumas práticas podem ajudar a reduzir os efeitos das geada:
- Escolher bem o local do plantio: dê preferência para locais e épocas de plantio visando evitar os períodos mais críticos para a ocorrência de geada.
- Utilizar variedades resistentes: pode ocorrer que, em uma mesma cultura, as variedades apresentem diferentes tolerâncias ao frio. Busque conhecer as temperaturas letais para as diferentes variedades cultivadas, tanto anuais como perenes, para que possa escolher as mais adequadas para a região.
- Nebulização artificial da atmosfera: aplicar neblina artificial sobre a cultura pode reduzir a perda de energia pela a superfície, evitando o resfriamento intenso.
- Irrigação: é necessário irrigar a cultura durante a noite da geada em uma taxa de 2 a 6 mm/h, pois, quando a água congela, libera calor latente, reduzindo o resfriamento e mantendo a temperatura por volta de 0°C.
- Usar coberturas protetoras: utilizar coberturas plásticas proporcionam condições microclimáticas adequadas para os cultivos em épocas de ocorrência de geada.
- Ventilação forçada: a técnica consiste na instalação de grandes ventiladores acima da cultura.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



