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Girolando comemora 28 anos de Brasil com recordes de registros em 2023

Criadores de várias regiões contam quais características os fizeram escolher a raça

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Associação dos Criadores solicitou ao MAPA que a raça seja reconhecida como ‘Girolando, a raça Nacional' por sua contribuição para o crescimento do país • Associação dos Criadores de Girolando

A raça Girolando - resultado do cruzamento de gado Gir com holandês - completa 28 anos de reconhecimento oficial como ‘raça leiteira nacional’ por parte do Ministério da Agricultura (MAPA). Segundo dados da Embrapa, cerca de 80% do leite produzido no Brasil, hoje, provêm de rebanhos Girolando. Além disso, a raça lidera as vendas de sêmen entre as linhagens leiteiras nacionais.

Recorde de registros, desde 1989

De acordo com balanço da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, em 2023, foram alcançados os melhores números de registro de animais desde 1989, quando a entidade iniciou o Serviço de Registro Genealógico no Brasil. No Controle/Registro de Nascimento, os técnicos efetuaram 42.640 registros, contra 39.879 em 2022. Já na categoria Controle/Registro Definitivo - Genealogia Conhecida foram feitos 37.586 ante os 36.114 de 2022. Somando as demais categorias do serviço, foram efetuados no total 97.352 registros em 2023, contra 93.551 no ano anterior.

“É motivo de muito orgulho para todos nós esse feito histórico. Mostra que, apesar do difícil momento da pecuária leiteira, o produtor continua acreditando nos nossos animai. Por toda sua contribuição para o crescimento do país, a entidade solicitou a MAPA que a raça seja reconhecida como ‘raça leiteira nacional’, disse o presidente da entidade Domício Arruda.

O criador Leonardo Avelar da Fazenda Campo Alegre, em Patos de Minas, investe na genética Girolando desde 2012. “Percebemos que os animais eram bem mais longevos, férteis e saudáveis que de outra raça que trabalhávamos na época. Fizemos as contas e vimos que para o nosso sistema de manejo e região o Girolando é mais rentável. Ela tem menor custo de produção, ou seja, menos gastos com medicamentos, menor taxa de descarte, além de apresentar maior valor agregado na venda”, disse o criador. A média de produção por vaca na propriedade está em torno de 30 kg/leite/dia.

Criador Leonardo Avelar, de Patos de Minas, acha que a raça tem menor custo de produção

Na Fazenda Boa Fé, em Conquista, os 11 mil litros de leite produzidos diariamente também são de um rebanho Girolando. Selecionador da raça desde 1988, o criador Jônadan Ma acredita que o Girolando vem conquistando espaço no mercado por quatro fatores. “Produtividade semelhante ou até superior a outras raças, longevidade, precocidade sexual e grande adaptabilidade a qualquer região do país, tanto em sistemas a pasto quanto confinamento. É a raça leiteira que segura todas as nossas necessidades como produtores rurais”, destaca Ma.

Surgimento e expansão pelo Brasil

A raça surgiu na década de 1940, no Vale do Paraíba, São Paulo, quando um touro da raça Gir t invadiu uma pastagem vizinha e cobriu algumas vacas da raça Holandesa. Ao nascerem os produtos desse cruzamento, os criadores observaram que eram animais com características diferentes e que, com o tempo, foram demonstrando maior rusticidade, precocidade e grande produção de leite.

No Rio Grande do Sul, outra casualidade

A história da Fazenda das Nogueiras, em Caxias do Sul (RGS), com a raça também começou de forma casual. “Em 2010, criava Holandês e Gir Leiteiro e fiquei um período sem inseminador, justamente quando as vacas começaram a entrar no cio. Como não tinha quem inseminasse, decidi colocar o touro Gir para cobrir as vacas holandesas. Quando as bezerras começaram a nascer, eram animais diferenciados e decidi pesquisar sobre o cruzamento”, lembra o criador José Adalmir Ribeiro do Amaral.

Os resultados levaram Amaral a investir na formação de um plantel de Girolando com o objetivo de produzir genética adaptada para a região Sul. Para ele, a rusticidade e a eficiência alimentar do Girolando são pontos importantes dentro do sistema de produção adotado pela fazenda. “São animais que se mantêm muito bem a pasto em qualquer época do ano, por serem menos exigentes que outras raças. Estamos em uma região serrana, com verão de temperaturas mais elevadas, e ter animais que enfrentam bem essa condição, como o Girolando, é fundamental”, disse o criador gaúcho.

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