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Exportações para os árabes crescem 5,75% e atingem US$ 13,3 bilhões até agosto

Avanço nas vendas para o Norte da África e rotas alternativas para contornar gargalos logísticos no Golfo sustentam alta de 5,75% no faturamento, aponta Câmara Árabe-Brasileira

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Exportações para os árabes crescem 5,75% e atingem US$ 13,3 bilhões até agosto
Embarques foram impulsionados por carnes, açúcar, cereais e complexo soja • Canva/ Reprodução

As exportações brasileiras para o bloco de 22 países árabes mantêm trajetória de crescimento em 2026. Entre janeiro e agosto, o faturamento das vendas externas para a região avançou 5,75% na comparação com o mesmo período do ano passado, alcançando US$ 13,38 bilhões.

Segundo balanço divulgado pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, o resultado positivo foi puxado pela forte demanda por alimentos no Norte da África e no Levante (região que se estende da Palestina ao Iraque), além da capacidade dos exportadores brasileiros de readaptar rotas logísticas para contornar gargalos e conflitos na região do Golfo.

"De forma geral, os números mostram que o comércio do Brasil com os países árabes segue resiliente e encontrando novas formas de driblar limitações. Nota-se claramente um movimento de reacomodação. Os exportadores brasileiros parecem ter conseguido, inclusive, novos espaços no mundo árabe para seus produtos", analisou o secretário-geral da Câmara Árabe-Brasileira, Mohamad Orra Mourad.

Norte da África e rotas do Levante lideram crescimento

No Norte da África, a receita com as vendas brasileiras saltou 13,75%, totalizando US$ 5,674 bilhões. O desempenho foi impulsionado pelo apetite do Egito, maior mercado do bloco regional, cujas importações do Brasil dispararam 34,70% e somaram US$ 2,518 bilhões. A Argélia, segundo principal destino na região, registrou alta de 6,61%, atingindo US$ 1,634 bilhão.

Nos países do Levante, o faturamento cresceu 7,14%, somando US$ 1,704 bilhão. O grande destaque na sub-região foi a Jordânia, que registrou salto de 55,23% (US$ 489,76 milhões). O forte avanço jordaniano é explicado pelo papel estratégico de seus portos no Mar Vermelho, utilizados como entreposto para a triangulação terrestre de mercadorias destinadas ao Iraque, cujo acesso marítimo direto enfrenta restrições operacionais decorrentes do conflito no Estreito de Ormuz.

Golfo se recupera com logística 'mar-terra-mar'

As vendas para as nações do Golfo aceleraram 16,83% só no mês de agosto, fazendo o faturamento acumulado no ano atingir US$ 6,001 bilhões — praticamente igualando o patamar do mesmo período de 2025.

Os Emirados Árabes Unidos mantiveram a liderança entre os parceiros comerciais árabes, com compras de US$ 2,358 bilhões (+6,77%), seguidos pela Arábia Saudita, que importou US$ 2,150 bilhões (+14,80%).

Para contornar o bloqueio e as tensões no Estreito de Ormuz, armadores e exportadores adotaram a estratégia conhecida como "fluxo mar-terra-mar": as cargas são descarregadas em portos do Golfo de Omã ou Mar Arábico e transportadas por rodovia até portos internos no Golfo. Essa dinâmica explica a disparada nas exportações do agronegócio para países vizinhos como Iêmen (+52,08%, para US$ 270,56 milhões) e Omã (+53,73%, para US$ 292,85 milhões).

Agronegócio responde por 75% da pauta com forte alta em carnes

As embarcações do agronegócio continuam sendo a espinha dorsal do comércio bilateral. O setor movimentou US$ 9,897 bilhões de janeiro a agosto, uma elevação de 6,81% sobre 2025, impulsionado por embarques de carnes, açúcar, cereais e complexo soja.

  • Carne bovina: apresentou o crescimento mais expressivo do setor, com salto de 20,23% nas receitas, somando US$ 1,177 bilhão. Os maiores compradores foram a Arábia Saudita (US$ 296,79 milhões, alta de 56,66%), Egito (US$ 254,68 milhões, +28,64%) e Emirados Árabes Unidos (US$ 127,35 milhões, +5,40%).

  • Carne de frango: a forte reação nos embarques em agosto ajudou a desacelerar a retração acumulada no primeiro semestre (que beirava os dois dígitos) para -4,55%, totalizando US$ 2,169 bilhões. A Arábia Saudita, principal mercado da proteína de frango brasileira na região, aumentou suas compras em 10,22%, somando US$ 697,83 milhões.

Diante do ritmo aquecido no segundo semestre, a Câmara Árabe-Brasileira projeta fechar 2026 com leve crescimento sobre 2025, aproximando-se do recorde histórico alcançado em 2024, quando as vendas ao bloco somaram quase US$ 24 bilhões.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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