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Dolly Parton e ovelha Dolly: entenda a conexão por trás da clonagem histórica

Inspirada na cantora norte-americana, a história da ovelha mais famosa do mundo redefiniu os limites da biologia e abriu caminho para a medicina moderna

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Dolly Parton e ovelha Dolly: entenda a conexão por trás da clonagem histórica
Ovelha Dolly recebeu o nome em homenagem a cantora country que morreu nesta terça (25) • JASON KEMPIN / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP | Domínio público

O primeiro mamífero clonado da história não apenas revolucionou a ciência, mas também carregava uma das homenagens mais inusitadas da cultura pop. Nascida em 5 de julho de 1996 no Instituto Roslin, na Escócia, a ovelha Dolly tornou-se o marco inicial da clonagem a partir de células adultas. No entanto, por trás desse avanço histórico da biologia celular, escondia-se uma sutil e bem-humorada referência à estrela do country norte-americano, a cantora Dolly Parton, que morreu nesta terça-feira (25).

A escolha do nome esteve diretamente ligada ao método científico aplicado. Comandada pelos pesquisadores Keith Campbell e Ian Wilmut, a equipe utilizou a técnica de transferência somática de núcleo, retirando o material genético da glândula mamária de uma ovelha adulta da raça Finn Dorset. Como a célula de origem pertencia ao tecido mamário do animal, os cientistas decidiram batizar o embrião em referência à artista country. A descoberta rompeu o dogma científico de que células adultas especializadas não poderiam ser reprogramadas para gerar um organismo completo.

Dolly embalsamada no Museu Real da Escócia, em Edimburgo • Domínio público
Dolly embalsamada no Museu Real da Escócia, em Edimburgo • Domínio público

Embora tenha nascido em julho de 1996, o feito só foi anunciado publicamente em 22 de fevereiro de 1997, gerando uma onda imediata de fascínio e debates éticos globais. Alheia aos holofotes, Dolly viveu toda a sua vida nas instalações do instituto escocês, onde teve uma rotina semelhante à de outros animais de rebanho. Ao longo de sua trajetória, ela deu à luz seis cordeiros entre eles Bonny, sua primeira filha, e gestações subsequentes de gêmeos e trigêmeos.

Em 2001, o animal passou a apresentar sinais de artrite, levantando suspeitas de que indivíduos clonados pudessem sofrer de envelhecimento precoce devido ao encurtamento dos telômeros. O diagnóstico mais grave, contudo, veio em fevereiro de 2003, quando uma tomografia computadorizada revelou a presença de tumores avançados em seu tórax, decorrentes de adenomatose pulmonar ovina, uma infecção viral incurável. Para evitar o sofrimento do animal, a equipe optou pela eutanásia em 14 de fevereiro de 2003, quando Dolly tinha seis anos.

Apesar da vida curta, o impacto da ovelha estendeu-se por décadas. Inicialmente, o experimento abriu margem para a clonagem de diversos outros mamíferos, como porcos, cavalos, bovinos e, mais recentemente, primatas. Contudo, a comunidade científica concorda que o grande legado de Dolly não foi a replicação de animais em si, mas a descoberta de que células adultas podem ser reprogramadas. Essa virada conceitual pavimentou o caminho para as pesquisas com células-tronco pluripotentes induzidas, fundamentais para a medicina regenerativa atual.

Hoje, o corpo empalhado da ovelha permanece em exposição permanente nas galerias de Ciência e Tecnologia do Museu Nacional da Escócia, em Edimburgo. A união entre a voz marcante da música pop e a revolução da biologia garantiu que o nome Dolly ficasse gravado de forma definitiva tanto na cultura popular quanto nos livros de história da ciência.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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