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Dia da Pimenta: saiba curiosidades sobre a especiaria que você ama ou odeia

A pimenta Dedo de Moça é uma das campeãs da preferência nacional; pesquisador criou uma escala de ardência de 0 a 44; saiba quais são as mais ardidas

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Relatos de exploradores do Brasil-colônia demonstram que a pimenta era amplamente cultivada e representava um item importante na dieta das populações indígenas • Divulgação Embrapa

Com ela, é difícil ficar em cima do muro. Ou você ama ou odeia. Estamos falando, claro, da pimenta - cujo dia é comemorado na próxima quinta (29). De acordo com a Embrapa, não há uma estimativa exata da produção da pimenta no Brasil porque ela é, em grande parte, cultivada por pequenos agricultores, mas acredita-se que chegue próximo de cinco mil hectares com uma produção de 75 mil toneladas. Os principais estados produtores são Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Ceará, Rio Grande do Sul, Bahia e Sergipe.

Há muitas histórias em torno da pimenta. Chegaram por aqui com os navegadores portugueses e espanhóis. Mas tudo indica que pimentas do gênero Capsicum já eram utilizadas pelos índios americanos (nativos) e mostravam-se mais picantes que a pimenta-do-reino (Piper nigrum), cuja busca foi, possivelmente, uma das razões das viagens que culminaram com o descobrimento do Novo Mundo.

Diversos relatos de exploradores do Brasil-colônia demonstram que a pimenta era amplamente cultivada e representava um item importante na dieta das populações indígenas. A capsaicina, responsável pela pungência das pimentas, é a única substância que, usada externamente no corpo, gera endorfinas internamente que promovem uma sensação de bem-estar, acionando o potencial imunológico.

Os índios Caetés foram os primeiros brasileiros a usar a pimenta como arma, sem imaginar que séculos depois a oleorresina de pimenta em aerossol ou em espuma, os famosos ‘pepper spray’ e ‘pepper foam’, seriam utilizados pela polícia.

A mais ardida do mundo é resultado de cruzamentos genéticos

A pimenta mais ardida do mundo tem nome e sobrenome: Carolina Reaper, que tem esse nome porque foi “criada” no estado da Carolina do Sul (EUA) e a tradução do pé da letra seria “ceifador da Carolina”.

Ela é resultado de cruzamentos genéticos. O pesquisador Nelo Linguanotto Neto criou uma Escala de Ardência de pimentas de 0 a 44, na qual 0 é a pimenta Biquinho e 44, a Carolina Reaper. A Malagueta tem pontuação 9.

De acordo com o especialista, a ardência não está nas sementes e sim numa fibra branca que tem dentro da casca. “Se você abrir e tirar essa parte branca, vai ter um legume praticamente sem ardência”, explica.

Mas de onde vêm as pimentas?

Depende. As da família Capsicum (Dedo-de-Moça e Pimenta-de-Cheiro) são originárias do continente americano.

A Bacia Amazônica é uma região com grande diversidade de pimentas dessa família que já eram usadas pelos nativos muito antes dos Europeus chegarem ao continente.

Já a Pimenta-do-Reino veio da Índia e era um artigo caro e difícil de conseguir. Na época das grandes navegações eram especiarias (temperos) que as pessoas estavam procurando e a Pimenta-do-Reino era considerada uma das mais importantes, atrás do gengibre, da Noz Moscada, da Canela e do Cravo-da-Índia.

Índios usavam como arma contra os inimigos

  • No século XVI, os índios usavam as pimentas para expulsar os inimigos. Eles faziam imensas fogueiras e jogavam a pimenta dentro. Ninguém chegava perto porque o vento espalhava a fumaça apimentada e o ardor nos olhos era insuportável.
  • As pimentas são fonte de vitamina A, C e E. São antioxidantes e ajudam na digestão.
  • As mais populares no Brasil são a Malagueta, De Cheiro, Biquinho, Cumari, Dedo de Moça e De Bode.

Cartilha da EpamigNo início desse ano, a Epamig publicou a cartilha “Cultivo de Pimenta Capsicum”. O material, que está disponível para download no site da empresa, destaca variedades tradicionais e novas e traz informações sobre as diferentes etapas da cadeia produtiva.

Pimenta Capsicum

Especiaria gera emprego e renda

No Brasil, a importância econômica da pimenta se dá pela rentabilidade e pela importância social, em função dos empregos que gera, especialmente nas épocas de colheita. O produtor rural, Emerson Rafael de Almeida, de Corinto, região central de Minas, é um exemplo de agricultor familiar que apostou na pimenta, aprendeu a beneficiá-la e, em oito meses, sextuplicou sua receita que era de apenas R$ 2.000. Antes de se tornar um produtor de pimenta, ele era pecuarista de leite e horticultor.

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Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais 'Hoje em Dia' e 'O Tempo' e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.