Da colmeia à prateleira: como o mel mineiro ganhou status de excelência no mercado
Ações de fiscalização do IMA impulsionam salto de 145% no cadastro de criadores e dão respaldo para mel mineiro ser eleito o melhor do país

A cadeia do mel em Minas Gerais registrou um crescimento expressivo de 145% no número de explorações cadastradas junto ao Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) entre 2023 e 2026, que passou de de 1.735 para 4.257. O avanço reflete o esforço conjunto para estruturar o setor através da defesa sanitária e da inspeção de produtos. Além de combater fraudes e proteger a saúde pública, a formalização tem blindado o mercado contra pragas e consolidado a excelência do mel mineiro no cenário nacional.
No âmbito da defesa animal, as atribuições do instituto envolvem o cadastro de criadores, a atualização periódica dos rebanhos (onde o produtor declara o número de colmeias e abelhas-rainha) e a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), obrigatória para o transporte dos insetos.
As medidas integram o Programa Nacional de Sanidade Apícola (PNSAb) e funcionam como uma barreira contra pragas devastadoras, como o pequeno besouro das colmeias. "Essas ações são fundamentais para entendermos como funciona a atividade no estado e para estabelecer estratégias mais adequadas de controle, mitigação de riscos e erradicação de doenças", afirmou Eduardo Lage, coordenador estadual do PNSAb.
Lage reforçou que os produtores que ainda atuam na informalidade precisam buscar a regularização. "Além de ser uma exigência legal, o cadastro é a base para proteger a atividade produtiva em casos de emergências sanitárias. Se ocorrer alguma doença ou praga, conseguimos agir de forma rápida e precisa no controle da disseminação através da rastreabilidade garantida pela GTA", detalhou.
Combate a fraudes e valorização comercial
Para chegar legalmente às prateleiras, o mel e seus derivados precisam ser processados em estabelecimentos registrados em um dos serviços de inspeção oficial: Municipal (SIM), Estadual (SIE/IMA) ou Federal (SIF).
De acordo com Mariana Telles, fiscal agropecuária do IMA, esse registro assegura que as condições sanitárias, a qualidade da matéria-prima e os processos de elaboração passem por auditoria constante. A formalização é o principal mecanismo para coibir fraudes econômicas — como o mel adulterado com xaropes — e assegurar a saúde pública.
"A população está cada vez mais atenta à origem dos alimentos e à segurança dos produtos que consome. A regularização agrega valor, fortalece a confiança do consumidor e amplia as oportunidades de comercialização para os produtores", destacou Mariana.
Do campo ao pódio: o melhor mel do Brasil é mineiro
Os reflexos de uma cadeia produtiva organizada aparecem em forma de reconhecimento nacional. No último mês de maio, durante o 25º Congresso Brasileiro de Apicultura (Conbrapi) em Florianópolis (SC), o mel produzido pelo Apiário Âmbar foi eleito o melhor do país na categoria empresa.
O apiário possui o registro junto ao IMA desde 2020, o que permitiu sua expansão segura no mercado. Para Natálha Abreu, diretora da empresa premiada, o papel do instituto vai muito além da fiscalização burocrática.
"O IMA realiza um trabalho de extrema relevância, contribuindo, com orientações e acompanhamento, para um manejo sustentável", avaliou a diretora, que completa apontando que o selo oficial de inspeção eleva a credibilidade do negócio diante de grandes parceiros comerciais e do consumidor final.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



