Com estiagem, preço do café dispara 35% em quatro meses; alta deve continuar até 2025
O aumento do preço do café se deve a uma soma de fatores, entre eles as condições climáticas e ambientais, como a falta de chuvas e temperaturas elevadas

O preço do café tem sofrido oscilações significativas no mercado brasileiro desde o início do ano. Porém, com a estiagem e ondas de calor que atingem o país, a tendência é que a alta continue até o próximo ano.
Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), o valor do café no varejo subiu 35% em quatro meses. Em abril, o preço médio do quilo era de R$ 29,18. No mês de agosto o café alcançou R$ 39,63.
A tendência é que o valor do café continue subindo até o primeiro trimestre de 2025. 'Espera-se aumento de 10% a 14% nos próximos 40 ou 60 dias', afirma o diretor-Executivo da ABIC, Celírio Inácio, à Itatiaia.
Como o maior produtor e exportador de café do mundo, o Brasil desempenha um papel crucial no mercado global e, por isso, impacta e contribui com esse viés de alta no preço.
Outro fator que agrava a situação é o aumento das queimadas. O diretor-executivo da ABIC afirma que em muitas áreas os agricultores têm enfrentado a devastação de lavouras inteiras devido a aos incêndios florestais.
'Além de destruir plantações, as queimadas contribuem para o empobrecimento do solo, o que pode dificultar a recuperação da produtividade dos próximos anos. Com a menor oferta do café o impacto sobre os preços foi imediato', pontua Inácio.
O aumento no valor da saca já havia sido registrado nos últimos anos devido a pressão de fatores climáticos, que se intensificou neste ano.
'Caso as condições climáticas não melhorem nesses próximos meses o cenário pode ainda se agravar. A escassez de chuvas previstas para o final do ano eleva as preocupações sobre a safra 2025 que já se estava se recuperando e com certeza será lenta essa recuperação', destaca Inácio.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



