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Cacau vale ouro: escassez global impulsiona economia do Equador

O Equador é o maior exportador de cacau fino e de aroma, uma variedade muito apreciada na culinária

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Vagens de cacau penduradas em árvores em uma fazenda no Cantão Cerecita, província de Guayas, Equador
As ações e o intercâmbio de experiências serão coordenados pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira • Marcos Pin/ AFP

A escassez global de grãos de cacau está enchendo os bolsos dos agricultores equatorianos, onde o cacau está ganhando espaço em relação à banana e à mineração como principal produto de exportação, produzindo uma nova geração de novos ricos rurais.

Na costa do Pacífico do Equador, a produção de cacau mudou a vida de muitos agricultores que encheram suas terras com árvores deste fruto em forma de espiga e cor granada.

O Equador é o maior exportador de cacau fino e de aroma, uma variedade muito apreciada na culinária.

O preço do grão atinge recordes no mercado internacional devido às secas e pragas que afetam a Costa do Marfim e Gana, os maiores produtores mundiais.

Antes, o preço do cacau "era bem baixo e a gente só tinha [dinheiro] para manter a fazenda, agora "penso em fazer umas economias, tirar um crédito e comprar mais um lote de terra para plantar", conta o agricultor Cergio Lema, de 50 anos à AFP.

Na fazenda de Lema em Milagro, perto de Guayaquil, no Sudoeste do país, os grãos de cacau secam espalhados no chão e depois são mandados para o exterior em sacas.

Atualmente, o agricultor recebe cerca de US$ 350 (aproximadamente R$ 1.900) a cada 100 quilos de cacau. Antes, por uma saca recebia no máximo US$ 100.

Os preços começaram a subir no final de 2023 e levaram o cacau a se posicionar entre os produtos de maior valor que o Equador oferece aos seus parceiros comerciais.

Em 2024, o setor gerou cerca de US$ 3,6 bilhões (aproximadamente R$ 19,8 bilhões), US$ 600 milhões (R$ 3,2 bilhões) a mais que a mineração, em um país cuja economia depende em grande parte da exploração de recursos naturais.

Grãos resistentes

Para evitar correr riscos na exportação e produção, pesquisadores reforçam a qualidade das sementes em laboratórios com um sabor mais ácido ao do cacau fino e de aroma.

Cerca de 90% da produção de cacau no Equador utiliza a espécie CCN-51, um clone criado nos anos 80 para resistir a pragas.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.