Brasil reverte restrições nacionais à avicultura em 19 dias após foco da doença de Newcastle em SC
Com a decisão do Uruguai de aceitar o critério de regionalização sanitária, bloqueios internacionais ficam restritos a Santa Catarina; em 2024, processo semelhante levou 74 dias

O governo brasileiro conseguiu reverter, em apenas 19 dias, todas as restrições comerciais de abrangência nacional impostas a produtos avícolas após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em Santa Catarina. A marca foi alcançada nesta sexta-feira (6), quando o Uruguai formalizou o reconhecimento da regionalização sanitária e retomou as importações provenientes dos demais estados.
O resultado representa uma evolução expressiva na resposta da defesa agropecuária. Em 2024, após a ocorrência da mesma enfermidade no Rio Grande do Sul, o país demorou 74 dias para restabelecer as exportações nacionais. Na nova ocorrência, identificada em 18 de outubro de 2026 em uma granja comercial de perus no município de Nova Itaberaba (SC), o prazo foi reduzido em quase quatro vezes. A China, um dos principais compradores da proteína brasileira, reviu suas restrições em menos de 24 horas.
"Não estamos falando apenas de números, mas de confiança, de credibilidade e da capacidade do Brasil de demonstrar que uma ocorrência sanitária localizada não precisa comprometer o comércio de todo o país", destacou o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula.
Impacto nas exportações e articulação diplomática
Com o reconhecimento do princípio de regionalização por parte dos parceiros comerciais, as restrições internacionais ficam restritas a Santa Catarina. De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o impacto sobre as vendas externas do setor passa a ser de aproximadamente 15 mil toneladas por mês, o equivalente a 3% da média mensal exportada pelo país, que gira em torno de 500 mil toneladas.
O avanço foi alcançado por meio de uma ação coordenada entre a Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI), o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc). Enquanto as equipes estaduais e federais atuaram no controle e na vigilância epidemiológica, o corpo diplomático compartilhou dados técnicos em tempo real com autoridades estrangeiras.
O secretário de Comércio e Relações Internacionais, Augusto Billi, enfatizou que o reconhecimento demonstra que um foco isolado não representa risco para todo o território nacional. Em cumprimento aos acordos internacionais com a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), o governo mantém suspensa a exportação proveniente da zona de restrição, composta pelos municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.
Próximos passos e segurança alimentar
Atualmente, onze países mantêm suspensões aplicadas a todo o estado de Santa Catarina. A prioridade do governo brasileiro é negociar a delimitação das barreiras apenas para os quatro municípios diretamente afetados.
O Mapa reforça à população e aos mercados que o consumo de produtos avícolas inspecionados segue inteiramente seguro e sem restrições sanitárias.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



