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Newcastle em SC: China e outros 4 países aplicam embargos a importação de aves do Brasil

Suspensões variam entre bloqueios nacionais e estaduais após confirmação de foco da doença de Newcastle em Nova Itaberaba (SC); Mapa reforça que consumo de produtos inspecionados segue seguro

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Newcastle: China suspende aves de 14 frigoríficos de SC; México bloqueia todo o Brasil
Canva/ Reprodução

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) atualizou o quadro de restrições temporárias impostas por parceiros comerciais às exportações avícolas do Brasil. As medidas foram adotadas pelos países compradores após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina.

Atualmente, o alcance das suspensões varia conforme os protocolos de sanidade e regionalização de cada mercado:

  • Embargo nacional (todo o Brasil): Malásia e México interromperam as compras oriundas de qualquer estado brasileiro. O mercado malaio vetou carnes, derivados e miúdos de aves. Já o México suspendeu a entrada de aves vivas, carnes, miúdos, ovos férteis, pintinhos de até três dias e aves de companhia ou ornamentais.
  • Embargo Regional (apenas Santa Catarina): China, Arábia Saudita e Chile optaram por restringir apenas as remessas originárias do território catarinense. Os chineses e sauditas suspenderam o recebimento de carnes e produtos cárneos de aves do estado, enquanto o mercado chileno bloqueou carnes frescas, derivados, ovos para consumo, ovos férteis, pintinhos de um dia e aves ornamentais.

Em relação ao mercado interno, o Mapa reforça aos consumidores que o consumo de carne de frango e ovos submetidos à inspeção oficial permanece absolutamente seguro e sem qualquer restrição sanitária.

A pasta informou que mantém articulação direta e permanente com as autoridades sanitárias dos países importadores. O Governo Federal envia relatórios técnicos detalhados sobre as medidas de contenção e erradicação adotadas no foco para garantir transparência e acelerar a retomada do comércio internacional. A situação dos demais parceiros comerciais segue em monitoramento contínuo.

O que é a Doença de Newcastle?

A Doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa e frequentemente grave que afeta mais de 200 espécies de aves domésticas e silvestres.

Do ponto de vista científico, a infecção é causada pelo paramixovírus aviário do sorotipo 1 (APMV-1). As análises genéticas conduzidas pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP) — unidade de referência internacional da OMSA — identificaram uma variante virulenta com forte identidade ao Pigeon paramyxovirus 1 (PPMV-1). Por atender aos critérios de patogenicidade definidos pelo Código Sanitário para os Animais Terrestres da OMSA, a notificação ao organismo internacional é obrigatória. A doença não tem tratamento. 

Principais sintomas e impacto nos planteis

A doença pode levar a uma taxa de mortalidade de até 100% dos animais de um lote, variando de acordo com a virulência da cepa. Os sinais clínicos dividem-se em respiratórios, digestivos e neurológicos:

  • Sintomas respiratórios: espirros, respiração ofegante e corrimento nasal e ocular.
  • Sintomas digestivos: anorexia (falta de apetite), depressão e diarreia aquosa de cor esverdeada.
  • Sintomas neurológicos e motores: dificuldade de locomoção, pernas distendidas, asas caídas e a característica torção de cabeça e pescoço.

Como ocorre a transmissão e a prevenção?

A principal via de contágio entre as aves é a aérea (por aerossóis), por meio de gotículas de secreções respiratórias que se espalham pelo ar, além do contato direto com fezes contaminadas. Vetores secundários como roedores, insetos e o trânsito de pessoas e veículos também podem transportar o vírus.

Como prevenir nas propriedades:

  • Biosseguridade rígida: isolar as granjas para evitar qualquer contato de aves comerciais com espécies silvestres, pombos, patos ou marrecos.
  • Controle de acesso: restringir rigorosamente a entrada de visitantes e veículos não autorizados.
  • Vacinação: no Brasil, a vacinação é obrigatória para aves de vida longa (reprodutoras e poedeiras) e pode ser adotada preventivamente em frangos de corte. As vacinas variam entre doses vivas atenuadas (aplicadas por spray ou água) e inativadas.

Há riscos para os seres humanos?

  • No consumo de alimentos: nenhum. Carnes e ovos de plantéis contaminados não chegam ao mercado público. Todos os lotes afetados são eliminados preventivamente pelas equipes sanitárias para conter o vírus na origem.
  • No contato direto: o vírus tem baixo impacto na saúde humana. Pessoas que mantêm contato direto e desprotegido com as secreções de aves doentes podem, eventualmente, desenvolver uma conjuntivite leve e transitória.

O que fazer ao suspeitar da doença?

Caso aviste aves domésticas ou silvestres com sinais de torção de pescoço, problemas respiratórios, marcha cambaleante ou alta mortalidade incomum:

Orientações de segurança:

  • Mantenha distância e não toque nos animais.
  • Não transporte as aves nem tente tratá-las (a doença não possui cura ou tratamento médico).
  • Acione imediatamente o Serviço Veterinário Oficial (SVO) do seu estado ou a secretaria de agricultura do seu município.
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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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