O que é a Doença de Newcastle? Entenda o vírus confirmado em SC e os riscos para a produção e a saúde
Contagiosa entre aves, enfermidade provoca sinais respiratórios e neurológicos; autoridades orientam a população a acionar o serviço veterinário e não tocar em animais suspeitos

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) confirmou nesta segunda-feira (19) a identificação de um novo foco da Doença de Newcastle (DNC) no Brasil. A ocorrência foi detectada em uma criação comercial com cerca de 6 mil perus no município de Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina.
A detecção ocorreu após uma coleta de vigilância ativa realizada em 21 de setembro. O caso mais recente da enfermidade no país havia sido registrado em 17 de julho de 2024, no município de Anta Gorda (RS), episódio que foi devidamente controlado e encerrado de forma oficial pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) 90 dias depois.
Em coletiva de imprensa, o ministro da Agricultura, André de Paula, reforçou que a situação está sob controle e que o consumo da carne de aves é totalmente seguro para a população.
Afinal, o que é a Doença de Newcastle?
A Doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa e frequentemente grave que afeta mais de 200 espécies de aves domésticas e silvestres.
Do ponto de vista científico, a infecção é causada pelo paramixovírus aviário do sorotipo 1 (APMV-1). As análises genéticas conduzidas pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP) — unidade de referência internacional da OMSA — identificaram uma variante virulenta com forte identidade ao Pigeon paramyxovirus 1 (PPMV-1). Por atender aos critérios de patogenicidade definidos pelo Código Sanitário para os Animais Terrestres da OMSA, a notificação ao organismo internacional é obrigatória. A doença não tem tratamento.
Principais sintomas e impacto nos planteis
A doença pode levar a uma taxa de mortalidade de até 100% dos animais de um lote, variando de acordo com a virulência da cepa. Os sinais clínicos dividem-se em respiratórios, digestivos e neurológicos:
- Sintomas respiratórios: espirros, respiração ofegante e corrimento nasal e ocular.
- Sintomas digestivos: anorexia (falta de apetite), depressão e diarreia aquosa de cor esverdeada.
- Sintomas neurológicos e motores: dificuldade de locomoção, pernas distendidas, asas caídas e a característica torção de cabeça e pescoço.
Como ocorre a transmissão e a prevenção?
A principal via de contágio entre as aves é a aérea (por aerossóis), por meio de gotículas de secreções respiratórias que se espalham pelo ar, além do contato direto com fezes contaminadas. Vetores secundários como roedores, insetos e o trânsito de pessoas e veículos também podem transportar o vírus.
Como prevenir nas propriedades:
- Biosseguridade rígida: isolar as granjas para evitar qualquer contato de aves comerciais com espécies silvestres, pombos, patos ou marrecos.
- Controle de acesso: restringir rigorosamente a entrada de visitantes e veículos não autorizados.
- Vacinação: no Brasil, a vacinação é obrigatória para aves de vida longa (reprodutoras e poedeiras) e pode ser adotada preventivamente em frangos de corte. As vacinas variam entre doses vivas atenuadas (aplicadas por spray ou água) e inativadas.
Há riscos para os seres humanos?
- No consumo de alimentos: nenhum. Carnes e ovos de plantéis contaminados não chegam ao mercado público. Todos os lotes afetados são eliminados preventivamente pelas equipes sanitárias para conter o vírus na origem.
- No contato direto: o vírus tem baixo impacto na saúde humana. Pessoas que mantêm contato direto e desprotegido com as secreções de aves doentes podem, eventualmente, desenvolver uma conjuntivite leve e transitória.
O que fazer ao suspeitar da doença?
Caso aviste aves domésticas ou silvestres com sinais de torção de pescoço, problemas respiratórios, marcha cambaleante ou alta mortalidade incomum:
Orientações de segurança:
- Mantenha distância e não toque nos animais.
- Não transporte as aves nem tente tratá-las (a doença não possui cura ou tratamento médico).
- Acione imediatamente o Serviço Veterinário Oficial (SVO) do seu estado ou a secretaria de agricultura do seu município.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



