Brasil e Itália pensam diferente o agro de laboratório
Projeto de lei proíbe a produção e venda de alimentos criados em laboratórios na Itália

Quem está com a razão?
O Brasil, por intermédio da Embrapa, anuncia a carne de frango cultivada em laboratório utilizando uma tecnologia que recria tecidos animais a partir de células de animais. O resultado são carnes semelhantes às naturais que trazem o selo do consumo saudável e sustentável.
Eu, particularmente, continua com minhas galinhas caipiras obedecendo rigorosamente as regras mineiras do quiabo, angu, pimenta e vale também a presença do feijão. Porém, não me negarei ao convite de provar a carne de frango de laboratório mas não serei um de seus adeptos, mesmo tendo vindo da Embrapa que tem total credibilidade para essa criação.
Em contrapartida, na semana passada, foi lançado um projeto de lei na Itália que proíbe a produção e venda de alimentos criados em laboratórios. Como a carne artificial é o alvo principal, vamos imaginar o tamanho da cadeia de alimentos animais que seria protegida com essa lei.
Só que o motivo não é somente proteger o consumidor dos alimentos sintéticos. Na verdade, há outros interesses dos italianos que são a terceira economia da União Europeia. Hoje, um país governado pela ala ultradireita. Foi o primeiro país europeu atingido violentamente pela covid-19, que balançou sua economia.
E hoje, o governo da Itália é liderado pela primeira-ministra Giorgia Meloni, do partido populista de direita Irmaos da Itália. É mais uma mulher que mostra liderança num dos mais desenvolvidos países do mundo. Pena que no Brasil ainda não encontramos a mulher ideal para nos governar nacionalmente! Na primeira tentativa ficamos 4 anos estocando vento e idolatrando a mandioca.
Sem misturar muito as marchas, vamos ao que interessa!
A grande preocupação do governo italiano é preservar a rica cultura do país, que dentre inúmeras coisas tem a comida como um de seus principais cartões de visita e que se espalhou pelos diversos cantos do planeta.
Giorgia Meloni entende que os laboratórios podem ameaçar a tradição agrícola italiana e chegou a participar de um ato da organização agrícola Coldiretti diante da sede do governo, em Roma. A iniciativa pretende proteger o agro italiano dos ataques das empresas multinacionais.
Certo ou errado, penso ser muito interessante ter um governo que busca a proteção de seus bens de origem, tomando decisões sem obedecer os desejos de certas ONGs, que na maioria das vezes, protestam pelo modismo ou simplesmente por interesse de alguns poucos que lideram esses grupos. O sim ou o não será dito aos autores do projeto de lei pelo parlamento italiano.
Nós, brasileiros, precisamos nos proteger mais daqueles que nos criticam, tentam nos excluir do cenário agrícola, e que no dia a dia nos observam via satélite para encontrar um espaço, que lá não existe mais, e aportar seus conhecimentos tecnológicos por aqui. Necessitamos de alguém que tome atitudes similares a que tomou a primeira-ministra italiana! Atitude corajosa, ainda mais que foi na Europa o “berço do carbono zero, da sustentabilidade!”
Em tempo
Quero cumprimentar aqui nesta Coluna o jornalista João Carlos Amaral, que trabalhou anos na Tv Globo e hoje comanda a comunicação da Alagro - Academia sul-americana de Agronegócio - cujo presidente Manoel Mário está na Itália a negócios da academia.Projeto de lei proíbe a produção e venda de alimentos criados em laboratórios na Itália
Produtor rural no município de Bambuí, em Minas Gerais, foi repórter esportivo por 18 anos na Itatiaia e, por 17 anos, atuou como Diretor de Comunicação e Gerente de Futebol no Cruzeiro Esporte Clube. Escreve diariamente sobre agronegócio e economia no campo.
