ApexBrasil e IBRAC investem R$ 2,6 milhões para expandir exportação da cachaça
Novo convênio foca na diversificação de destinos internacionais e celebra dez anos do acordo de proteção mútua entre a Cachaça brasileira e a Tequila mexicana

Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC) firmaram, nesta sexta-feira (31), um novo convênio de R$ 2,63 milhões para impulsionar a cachaça no mercado externo. A parceria busca contornar as barreiras tarifárias e a volatilidade enfrentadas pelo setor nos destinos tradicionais.
A iniciativa dá início à quarta edição do projeto setorial focado no setor e pretende atender entre 70 e 80 empresas brasileiras. O plano contempla ações de promoção comercial, presença em feiras globais e aproximação com compradores estrangeiros para posicionar a bebida como um produto premium de alto valor agregado.
De acordo com o Anuário da Cachaça 2026, os embarques em 2025 somaram 7,96 milhões de litros, uma alta de 19,4% em volume em relação ao ano anterior e US$ 17,07 milhões faturados.
Diversificação estratégica ante desafios nos EUA
A cerimônia, realizada na sede da ApexBrasil, em Brasília, destacou a urgência de abrir novas frentes para o produto. O presidente da agência, Laudemir Muller, ressaltou que o investimento busca mitigar os impactos enfrentados pelos exportadores em praças consolidadas, como os Estados Unidos.
"Estamos investindo na diversificação de mercados, fortalecendo a promoção da bebida no México, no Canadá e na Europa para ampliar as oportunidades de exportação do setor. Estamos falando de uma bebida genuinamente brasileira, que representa nossa cultura, gera emprego, renda e leva a imagem do Brasil para o mundo", afirmou Muller.
Para o presidente do IBRAC, Vicente Bastos, o aporte financeiro será decisivo para consolidar o reconhecimento da cachaça no exterior. "Este novo projeto nos permite avançar com mais força na internacionalização da cachaça e fazer com que o destilado seja cada vez mais reconhecido como um produto de alto valor agregado", pontuou.
Uma década de aliança entre Cachaça e Tequila
O evento também marcou os dez anos do Acordo de Reconhecimento Mútuo das Indicações Geográficas entre Brasil e México, firmado em julho de 2016. O tratado garante exclusividade de uso dos termos "Cachaça" e "Tequila" aos produtos fabricados em seus respectivos países de origem, combatendo falsificações no mercado global.
O embaixador do México no Brasil, Carlos García de Alba, defendeu a ampliação dessa cooperação bilateral. "Essas bebidas não competem entre si; ao contrário, se complementam e reforçam a identidade e a tradição de nossos países", destacou o diplomata.
Força da produção nacional
A cadeia produtiva da cachaça é composta majoritariamente por pequenos produtores, cooperativas e empresas familiares espalhadas por todo o território nacional. Representando o setor produtivo, a proprietária da Cachaça Capueira e diretora financeira do IBRAC, Jeruza Aguiar, reforçou o valor cultural e econômico do projeto.
"Ser uma mulher produzindo cachaça no Brasil é um desafio muito grande, mas, por acreditar no potencial do nosso produto e na força da cultura brasileira, acredito que podemos expandir a cachaça cada vez mais", declarou.
Com as novas ações, a expectativa dos órgãos envolvidos é consolidar a bebida em feiras internacionais ao longo dos próximos anos e abrir canais de venda diretos em países da América do Norte e da União Europeia.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



