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Mercado da cachaça dispara e vive maior avanço de alambiques em 8 anos

Com 1.538 estabelecimentos formalizados no MAPA em 2025, o setor avança em capilaridade territorial, registro de marcas e agregação de valor ao produto nacional

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Mercado da cachaça dispara e vive maior avanço de alambiques em 8 anos
Canva/ Reprodução

O mercado brasileiro de cachaça atingiu um marco histórico e altamente simbólico ao registrar o maior crescimento na quantidade de produtores formalizados dos últimos oito anos. De acordo com os dados compilados no Anuário da Cachaça 2026 (com ano de referência em 2025), estudo produzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) em parceria com o Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC), o Brasil alcançou a marca de 1.538 estabelecimentos elaboradores devidamente registrados.

O número representa um salto de 21,5% em relação ao ano anterior, impulsionado pela entrada de 272 novos estabelecimentos registrados no setor em apenas 12 meses. Minas Gerais foi o motor do crescimento absoluto do setor no país em 2025. O estado adicionou 63 novos estabelecimentos formalizados em 12 meses

O crescimento verificado em 2025 é o maior tanto em termos absolutos quanto em taxa percentual desde que a série histórica de monitoramento foi iniciada pelo MAPA em 2018. Ao longo desse septênio (2018–2025), o número de estabelecimentos saltou de 951 para 1.538, acumulando uma expansão de 61,7%. Esse movimento reflete não apenas o surgimento de novos empreendimentos, mas o engajamento de produtores tradicionais em processos de regularização fiscal, ambiental e sanitária.

A força da formalização ecoa diretamente na diversificação do portfólio oferecido ao consumidor. Em 2025, o número de produtos devidamente registrados perante o Ministério chegou a 8.379, uma alta de 16,0% perante os 7.222 do ano anterior, associados a um universo de 11.131 marcas comerciais ativas (expansão de 16,8%). Em termos práticos, cada estabelecimento produtor no Brasil detém, em média, 5,4 produtos e 7,2 marcas comerciais registradas. Paralelamente, o destilado nacional ampliou sua presença geográfica: a cachaça já conta com estabelecimentos registrados em 844 municípios brasileiros, o que representa uma alta de 14,8% em sua cobertura territorial, consolidando a bebida como um importante vetor de desenvolvimento econômico e interiorização regional.

Ajuste na produção e o desafio do potencial oculto

Em contrapartida à expansão do parque fabril e da variedade de marcas, o volume total de produção declarado pelos estabelecimentos em 2025 apresentou uma dinâmica distinta. A produção oficial totalizou 234,48 milhões de litros, o que corresponde a uma retração de 15,77% na comparação com os 278,39 milhões de litros declarados em 2024. Especialistas e analistas do setor atribuem esse movimento a uma combinação de fatores estratégicos: ajustes na gestão de estoques por parte das grandes indústrias, oscilações na safra de cana-de-açúcar em regiões estratégicas e, acima de tudo, uma reorientação do mercado produtivo rumo a linhas de maior valor agregado, com foco em cachaças envelhecidas, prêmio e extra-prêmio.

Entidades representativas reforçam que, apesar dos avanços celebrados no Anuário, o número de 1.538 alambiques formalizados ainda revela apenas uma fração do real tamanho do parque produtor brasileiro. Estima-se que milhares de pequenos produtores ainda operem na informalidade, enfrentando entraves burocráticos, tributários e de assistência técnica para alcançarem o registro oficial.

“Os dados do Anuário da Cachaça 2026 demonstram a expansão contínua e a notável resiliência de uma cadeia produtiva vital para o agro brasileiro, presente em todas as regiões do país e formada predominantemente por micro, pequenos e médios produtores. Contudo, estes números também evidenciam que ainda estamos distantes do verdadeiro potencial da Cachaça no Brasil e no mundo. Para acelerarmos essa transformação, é urgente enfrentar gargalos estruturais, com destaque para a assimetria tributária, a elevada carga fiscal e a necessidade de políticas públicas permanentes de incentivo à formalização”, destaca Vicente Bastos, presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC).

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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