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A melhor cachaça branca do Brasil vem de Igarapé-MG: conheça a história da Cachaça Durvalina

Com fermentação caipira e armazenamento em barris de amendoim, rótulo de Grande BH conquista jurados em sua primeira participação no concurso promovido pela CNA

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A melhor cachaça branca do Brasil vem de Igarapé-MG: conheça a história da Cachaça Durvalina
Arquivo/ imagem cedida

O capricho artesanal e a união familiar da zona rural mineira conquistaram o país. A Cachaça Durvalina, produzida em Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi a campeã nacional do Prêmio CNA Brasil Artesanal 2026 na categoria Cachaça Branca. A cerimónia de premiação, promovida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), foi realizada nesta quinta-feira (15), na sede da entidade, em Brasília.

A vitória marca uma reviravolta na história da família Alves Pereira, que transformou a tradição de mais de quatro décadas em um negócio regularizado e reconhecido em todo o território nacional.

Cachaça Durvalina Branca, produzida em Igarapé, campeã nacional do Prêmio CNA Brasil Artesanal 2026 • Arquivo/ Imagem cedida
Cachaça Durvalina Branca, produzida em Igarapé, campeã nacional do Prêmio CNA Brasil Artesanal 2026 • Arquivo/ Imagem cedida

Uma decisão que mudou os rumos do alambique

A história do alambique começou em 1983, quando João Alves Pereira, hoje aos 74 anos, decidiu mudar os rumos da sua vida no campo. Na época, insatisfeito com o cultivo de hortaliças, ele conversou com o pai, Durval, para mudar de atividade.

"A horta estava muito ruim. Eu conversei com o meu pai: 'vou parar com esse negócio de horta e começar outro tipo de vida. Estou com vontade de mexer com alambique'. Ele disse: 'Se quiser mexer com isso, a gente começa'. No final de 1983, já começámos a alambicar. Daí para a frente, só fui dando sequência", relembrou o produtor à Itatiaia. Para batizar oficialmente o produto comercial, a família escolheu o nome Durvalina, uma homenagem a Durval, pai de João.

Durante quatro décadas, a bebida foi vendida informalmente no comércio local como a "cachaça da roça", ganhando a preferência e o carinho dos moradores da região de Igarapé. A grande virada ocorreu em janeiro de 2024, quando a filha de João, Aline Alves Pereira, de 36 anos, decidiu deixar o seu emprego com carteira assinada para se dedicar integralmente ao negócio da família.

Com formação em Gestão Ambiental, Aline assumiu a reorganização administrativa e operacional do sítio. "Saí do meu serviço CLT para vir ajudá-lo na administração do alambique, porque não havia mão de obra e ele precisava de alguém na organização. Eu peguei e assumi essa parte", contou Aline.

 

Regularização e gestão feminina

Um dos primeiros e maiores desafios enfrentados pela tecnóloga foi a legalização do alambique junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Para atender às exigências legais, a família uniu competências: Renata Alves Pereira, irmã de Aline e graduada em Farmácia, assumiu a Responsabilidade Técnica (RT) da produção.

Aline, João e Renata, da Cachaça Durvalina • Arquivo/ Imagem cedida
Aline, João e Renata, da Cachaça Durvalina • Arquivo/ Imagem cedida

Com a divisão das tarefas, Renata no controlo técnico, Aline na gestão administrativa e João como "comandante-geral" da produção, o tão aguardado registo do MAPA foi concedido em dezembro de 2025.

"A gente já era bem reconhecido na região, mas não tinha aquele alcance de supermercados, que exige a regularização. Depois do registo, foi possível participar em concursos e exposições. O prémio da CNA foi até ao primeiro concurso que participámos. Nossa, não há palavras para descrever!", celebrou Aline.

Segredo do sucesso: fermentação caipira e processos naturais

A Cachaça Durvalina Branca vencedora é armazenada em barris de madeira de amendoim. O alambique também produz uma versão amarela, envelhecida em barris de amburana.

Barris de armazenagem da Cachaça Durvalina • Arquivo/ Imagem cedida
Barris de armazenagem da Cachaça Durvalina • Arquivo/ Imagem cedida

Segundo João, o diferencial da cachaça campeã está no rigor e no cuidado com a matéria-prima e os processos: "são canas de qualidade, todas selecionadas, com a fermentação bem feita e a lambicagem muito bem feita também. Tudo com tempo: não deixa passar e nem faltar a hora. Tudo bem organizado", ressaltou.

Aline reforçou que o processo é 100% natural e integrado à propriedade da família: "a produção da cana é da própria fazenda e a fermentação é a chamada 'fermentação caipira', que utiliza fubá e canjica de milho. Não há nada químico. O pai acompanha todo o processo, desde o plantio até à produção final, ao armazenamento e às entregas".

Olho no futuro: e-commerce e expansão do cultivo

Atualmente, o Sítio João Durval produz cerca de 17 mil litros de cachaça por ano. Com o reconhecimento nacional e a visibilidade proporcionada pela CNA, a família já planeia dar novos passos para expanding a marca.

"A nossa produção ainda é pequena em comparação aos grandes mercados, mas já estamos a trabalhar para ativar a venda online e buscar novos clientes, contando também com os marketplaces da CNA para estruturar as vendas e investir na divulgação", projetou Aline.

Canavial do Sítio João Durval, onde é produzida a Cachaça Durvalina • Arquivo/ Imagem cedida
Canavial do Sítio João Durval, onde é produzida a Cachaça Durvalina • Arquivo/ Imagem cedida

Empolgado com o prémio e com o apoio das filhas, o produtor João Pereira já antecipou os trabalhos na roça: "já aumentei o sistema de plantação, estou a plantar mais quantidade este ano para ver se no ano que vem aumentamos a produção", concluiu.

Como adquirir

Atualmente, as encomendas da Cachaça Durvalina podem ser feitas diretamente pelo WhatsApp (31) 8239-6945 ou presencialmente no Sítio João Durval, na zona rural de Igarapé (MG).

 

Sítio João Durval, na zona rural de Igarapé, na Grande BH, • Arquivo/ Imagem cedida
Sítio João Durval, na zona rural de Igarapé, na Grande BH, • Arquivo/ Imagem cedida
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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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