Ouvindo...

Times

Cresce a adoção do controle biológico de pragas nos cafezais mineiros; entenda

Epamig conta 14 Unidades Demonstrativas e auxilia produtores que querem optar pelo sistema que integra o conceito da ‘agricultura regenerativa’

A utilização de ‘corredores ecológicos multifuncionais’ para auxiliar no controle biológico de pragas na cafeicultura tem ganhado cada vez mais espaço no campo.

Em Minas, a EPAMIG, empresa de Pesquisa Agropecuária, conta 10 unidades demonstrativas com o plantio de espécies de árvores e arbustos perenes em corredores dentro e próximos a cafezais no Cerrado Mineiro e quatro na Zona da Mata.

A pesquisadora da EPAMIG e coordenadora do projeto Madelaine Venzon conta que os trabalhos tiveram início há mais de duas décadas. O princípio básico do corredor ecológico é disponibilizar nos cafezais predadores naturais das pragas, ou seja, insetos que vão se alimentar dessas, minimizando a necessidade de agrotóxicos.

“Começamos com a seleção de plantas, seguidas por testes em laboratório, em casas de vegetação, em áreas pequenas nos campos experimentais da EPAMIG. Depois ampliamos a área, até chegarmos à fase atual de Unidades Demonstrativas em fazendas de produtores parceiros. No Cerrado Mineiro, a implantação dessas unidades ocorreu em 2021 e já estamos analisando os resultados do primeiro ano”.

Alguns critérios devem ser considerados na escolha das árvores e arbustos que farão parte dos corredores ecológicos. “É preciso que estas tenham características que atraiam os inimigos naturais das pragas do café e forneçam alimentos para esses insetos (pólen e néctar) e abrigo, além de não beneficiarem as pragas do café. A opção é por plantas perenes para que o produtor não tenha que ficar replantando todo ano”, explica a pesquisadora.

Madelaine informa que algumas espécies são essenciais para a implantação do corredor multifuncional. “Temos algumas espécies básicas que devem compor o corredor, mas a implantação nas propriedades é sempre de uma maneira participativa. Temos as plantas obrigatórias que atraem os predadores e parasitoides das pragas do café e os polinizadores, ambos beneficiam o café, mas isso não significa que elas tenham que ser exclusivas. Elas têm que estar em maior densidade e o arranjo final conta com a participação e interesse do produtor”.

Posição do corredor varia de região para região

Os estudos básicos, obtidos nas pesquisas realizadas pela EPAMIG, indicam que cada corredor ecológico deve ficar a uma distância máxima de 40 metros um do outro para ter efeito positivo no combate às pragas. Mas a posição pode variar em função da região. “Isso também é de acordo com o produtor, pode variar em função da mecanização da lavoura, do relevo, como no caso de áreas montanhas, destaca Madelaine Venzon.

Busca pelo manejo responsável e a redução do uso de pesticidas

A produtora Isabel Cristina de Carvalho, de Coromandel no Alto Paranaíba, conta que a busca pelo manejo responsável e a redução do uso de pesticidas químicos na lavoura sempre foi a premissa dos cafés Estrela Carvalho. “Nossa marca traz a essência de nossa família, a força do Carvalho e a busca pela excelência. Acreditamos que a terra é um grande ser vivo, e tudo que fazemos é pensando em garantir sua integridade. Desde 1981, quando viemos para o Cerrado Mineiro usamos o plantio direto e plantamos milhares de espécies de árvores nativas. A partir de 2021, com a parceria com a EPAMIG fomos incentivados ao controle biológico nas suas diversas formas e alternativas. Experiência essa já aplicada em toda a lavoura”.

A EPAMIG nos subsidiou com dados de pesquisa sobre o uso de controle biológico de pragas. Nos forneceu mudas e sementes e incentivou a plantar erva baleeira e fedegosinho, ingá e outras plantas atrativas para os insetos benéficos, inimigos naturais de pragas, por exemplo bicho-mineiro. Desde 2022, a equipe da pesquisadora Madelaine Venzon realiza as amostragens que incluem, toda biodiversidade e análise de folhas solo e frutos na lavoura de café orgânico. Ao final esses resultados estarão relacionados também com aspectos da qualidade do café”, prossegue Isabel.

O café Estrela Carvalho alcançou o primeiro lugar na premiação de qualidade do café do Cerrado Mineiro. “Estamos localizados no nobre terroir do Pântano e tivemos a grata alegria e honra de alcançar essa premiação com o café orgânico, procedente do talhão em que a equipe da EPAMIG é nossa parceira”, finaliza.

(*) Com informações da Epamig

Leia também


Participe dos canais da Itatiaia:

Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais ‘Hoje em Dia’ e ‘O Tempo’ e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.



Leia mais