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Algodão mineiro alcança a maior produtividade do país; planta é ‘prima’ do quiabo e faz até dinheiro

Produção passou de 85,5 mil toneladas, em 2022/2023 para 133,4 mil toneladas na safra 2023/2024

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Colheita do algodoeiro acontece, em média, 160 dias após a germinação

Pixabay

O algodão mineiro alcançou em 2023 a maior produtividade da cultura no país, com uma média de 2.045 kg por hectare, na safra 2022/2023. A informação é da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa) e uma das explicações para o bom desempenho da safra, pode ser a implantação do Programa Mineiro de Incentivo à Cultura do Algodão (Proalminas), que concede isenção de imposto à indústria e se compromete a adquirir uma cota de algodão de produtores mineiros. A cada real de incentivo fiscal do governo, estima-se retorno de R$ 1,42 para a economia do estado. Para se ter uma ideia, da safra 2004/2005 para cá, a produtividade - que era 978 kg por hectare - mais do que dobrou.

“O algodão vem realizando o sonho da gente. Consegui aumentar a área da terra, meu terreno tinha só cinco hectares, agora são 20. Comprei uma motinha e um carro. Conheci o algodão quando criança e estou nele até hoje”, relata o agricultor José Alves de Souza, de Catuti, no Norte de Minas.

O diretor superintendente da Associação Brasileira das Indústrias Têxteis, Fernando Valente Pimentel, acredita que o bom desempenho da safra atual reflita a importância de haver conexões e redes integradas de trabalho entre poder público, agricultura e indústria. “Essa iniciativa fez com que a cotonicultura crescesse no estado e possibilitou que a indústria mineira fosse abastecida de algodão de qualidade, produzido dentro do seu próprio território. Poucos países têm ativos como esse”, avalia .Ao longo dos 20 anos de implementação do Proalminas, de 2003 a 2023, a produção de algodão cresceu de 85,5 mil toneladas para as estimadas 133,4 mil toneladas na safra 2023/2024. Se não houver atrasos, a colheita em 2024 tem início no mês de maio e fim em agosto.A política pública é coordenada pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), em parceria com a Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa) e as indústrias têxteis de Minas Gerais, e conta com atuação da Emater-MG, IMA e Epamig.

Histórico

Criado em 2003, o Proalminas foi concebido em resposta às preocupações da cadeia produtiva, que previa perdas de mercado, demissões em massa e fechamento de indústrias em Minas Gerais como consequências decorrentes da concessão de isenções fiscais por outros estados.Um dos principais benefícios da política pública é a inclusão da redução da carga tributária sobre produtos industrializados.

Os recursos provenientes do Proalminas também são empregados em desenvolvimento de pesquisas, validação de tecnologias e práticas sustentáveis de cultivo, monitoramento e combate a pragas e doenças, bem como na implementação de laboratórios e outras ações voltadas para a melhoria da qualidade da fibra.

Do algodão se faz de maionese a dinheiro; conheça curiosidades

  • A palavra é a derivação do termo árabe “al-qu-Tum”, em tradução livre, “o cotão”, que significa “pelo” ou “felpa”. Foram os árabes que difundiram a planta pela Europa entre os séculos IX e XI.
  • Daí surgiram as variações em cada país, como cotton, em inglês; coton, em francês; cotone, em italiano; e algodón, em espanhol.
  • O caroço do algodão também é aproveitado na produção de óleo comestível (de cozinha), biodiesel e misturas para rações animais e adubos.
  • Dos primeiros produtos, é possível fazer outros subprodutos como maionese, molhos, frituras, lubrificante, margarinas e biscoitos.
  • O Brasil já foi um dos maiores produtores e exportadores de algodão do mundo. Mas, no início de 1990, lavouras inteiras foram devastadas pelo bicudo-do-algodoeiro, produtores perderam tudo e uma grande crise se instaurou.
  • Além da fibra principal extraída do algodão em caroço, usada na indústria têxtil, existem a fibrilha e o línter, que são as fibras mais curtas. Com elas, é possível fabricar o algodão de farmácia, tecidos rústicos, estofamentos, filtros, pavios de pólvora, tapetes e pano de chão.
  • A partir das fibras curtas do línter é possível produzir as cédulas do real brasileiro. O papel criado para fabricar essas notas é composto por três camadas: duas externas, produzidas com pasta de madeira, e a do meio, que é feita 100% de línter de algodão. Essa camada é a que recebe as principais medidas de segurança que dificultam a falsificação da nota. 💵
  • Tanto o algodão quanto o quiabo e o hibisco são da família botânica das Malvaceae, que abrange mais de 2 mil espécies, Uma das características comuns, é a presença de pelos ou escamas.
  • A colheita acontece, em média, 160 dias após a germinação. Com o desenvolvimento tecnológico, já há colheitadeiras, específicas para a cultura, que fazem o trabalho sozinhas. 🚜
  • Atualmente, o Brasil é o 2° maior exportador de algodão do mundo, seguido da Austrália, Índia e Turquia. O maior exportador é o EUA.

Fonte: Blog “Sou de Algodão”

(*) Com informações da Agência Minas.

Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais ‘Hoje em Dia’ e ‘O Tempo’ e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.



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