Líderes do Agro boliviano bloqueiam rodovias em protesto contra prisão de governador de Santa Cruz de La Sierra

As estradas foram bloqueadas impedindo a saída de todos os produtos agrícolas de Santa Cruz e já se prevê um desabastecimento no país

Rua atingida pelos protestos na Bolívia

A população de Santa Cruz de La Sierra se revoltou na última semana destruindo inteiramente o prédio do Ministério Público local, um prédio de 4 andares, queimaram automóveis e há um confronto diário entre os apoiadores do governo Camacho com a polícia. Houve também muitos saques no comércio da cidade. Saldo de 90 presos e 200 feridos.

As estradas foram bloqueadas impedindo a saída de todos os produtos agrícolas de Santa Cruz e já se prevê um desabastecimento no país. O líder do grupo Pro Santa Cruz, Romulo Calvo, informou que por meio de uma assembleia definiu-se que nada sai do estado enquanto o governador, apoiador da agropecuária, seja libertado da prisão.

Santa Cruz de La Sierra é a principal economia da Bolívia e maior produtora do país de cana-de-açúcar, soja, milho, arroz, girassol e tabaco. É responsável por 30% do PIB boliviano.

“Nenhum grão, animal ou produtos de abastecimento de fábricas sai de Santa Cruz para o resto do país, enquanto o governador estiver preso.” É o que afirma Marcelo Cruz, presidente da Associação Internacional de Transporte Pesado de Santa Cruz.

Origem dos conflitos de hoje na Bolívia

Importante saber o motivo das manifestações que começaram no dia 28 de dezembro e que se agravaram muito nas últimas horas nas ruas de Santa Cruz de La Sierra, capital do estado de La Sierra. A capital tem uma população de um milhão e seiscentos mil habitantes.

O governador de Santa Cruz, Luís Fernando Camacho, está sendo pressionado pelo o Movimento ao Socialismo (MAS) partido do presidente Luís Arce e do ex mandatário Evo Morales para que Santa Cruz eleja um novo governador.

O jornal El Deber narra que Camacho, o governador pressionado, segue o artigo 26 do estatuto da comarca de Santa Cruz e só será sucedido em seu mandato em caso de morte, condenação penal, impedimento definitivo ou renúncia.

Camacho foi preso acusado de terrorismo por seu envolvimento na tentativa de golpe de estado na crise política de 2019, quando Evo Morales anunciou sua renúncia sugerida pelas Forças Armadas.

Morales foi acusado de fraude nas eleições do dia 20 de outubro de 1919, quando conseguiu seu quarto mandato. A partir daí, vários protestos foram registrados nas principais cidades bolivianas. Ele chegou a anunciar que convocaria novas eleições, mas acabou renunciando após um comunicado do Comandante das Forças Armadas sobre a crise que se encontrava.

Produtor rural no município de Bambuí, em Minas Gerais, foi repórter esportivo por 18 anos na Itatiaia e, por 17 anos, atuou como Diretor de Comunicação e Gerente de Futebol no Cruzeiro Esporte Clube. Escreve diariamente sobre agronegócio e economia no campo.

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