Volta à Ilha Grande: trilha de 100 km passa por praias, florestas e ruínas históricas
Percurso no litoral do Rio de Janeiro combina ecoturismo, contato com a cultura caiçara e atrações naturais

Praias de águas cristalinas, trechos preservados de Mata Atlântica e construções que guardam parte da história brasileira fazem parte da Volta à Ilha Grande, uma trilha de aproximadamente 100 quilômetros no litoral sul do Rio de Janeiro. O percurso contorna a ilha, em Angra dos Reis, e permite conhecer diferentes paisagens e comunidades ao longo do caminho.
A rota começa e termina na Vila do Abraão, principal núcleo urbano da ilha. A caminhada costuma durar sete dias, mas o roteiro pode ser adaptado para períodos entre cinco e 15 dias, conforme o ritmo e o planejamento do viajante.
Ao longo do trajeto, os caminhantes percorrem de 10 a 16 quilômetros por dia, passando por florestas, manguezais, restingas e dezenas de praias. Entre os destaques estão Lopes Mendes, Aventureiro, Dois Rios, Parnaioca e Caxadaço.
A trilha também dá acesso a atrações naturais como a Gruta do Acaiá e o Pico do Papagaio, uma das formações mais conhecidas da ilha. O percurso atravessa quatro áreas protegidas: o Parque Estadual da Ilha Grande, a Área de Proteção Ambiental de Tamoios, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Aventureiro e a Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul.
A sinalização segue o padrão da Rede Brasileira de Trilhas, com marcas nas cores amarela e preta. O símbolo da rota combina o desenho do Pico do Papagaio com as ondas do mar da baía.
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Ruínas e construções históricas
Além das paisagens naturais, a Volta à Ilha Grande passa por lugares ligados a diferentes períodos da história local. A região foi utilizada como rota alternativa do ouro e também teve presença de piratas.
Entre os pontos históricos estão as ruínas do Instituto Penal Cândido Mendes, desativado em 1994, o antigo Lazareto e o Aqueduto. Esses locais acrescentam ao percurso uma dimensão histórica, além da experiência de contato com a natureza.
Hospedagem e serviços
A estrutura disponível nas comunidades litorâneas é um dos diferenciais da trilha. Ao longo do caminho, moradores oferecem hospedagem, alimentação e transporte marítimo, o que permite fazer o percurso sem precisar levar barraca ou grandes quantidades de comida na mochila.
O uso desses serviços também movimenta a economia local e favorece o contato dos visitantes com comunidades formadas por caiçaras, pescadores, descendentes de imigrantes japoneses e pessoas ligadas à história do antigo presídio.
Quando fazer a trilha
A caminhada pode ser realizada durante todo o ano, mas o Ministério do Turismo aponta o período de maio a setembro como o mais indicado. Nesses meses, as temperaturas costumam ser mais amenas e há menos chuva.
Como o percurso envolve caminhadas diárias de vários quilômetros, é importante planejar o tempo disponível, avaliar o condicionamento físico e organizar previamente as paradas para descanso, alimentação e hospedagem.
Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente, é repórter multimídia no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Antes passou pela TV Alterosa. Escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.



