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Samba, cachaça de alambique e Casa de Dona Beja são reconhecidos como patrimônio cultural em Minas

Samba e técnicas tradicionais de produção da cachaça recebem registro imaterial, enquanto imóvel histórico de Araxá é tombado

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Minas Gerais reconhece o samba, os modos tradicionais de produção da cachaça de alambique e a Casa de Dona Beja como patrimônio cultural do estado
Minas Gerais reconhece o samba, os modos tradicionais de produção da cachaça de alambique e a Casa de Dona Beja como patrimônio cultural do estado • Divulgação/Governo de Minas

O samba, os saberes tradicionais envolvidos na produção da cachaça de alambique e a Casa de Dona Beja passaram a integrar o patrimônio cultural de Minas Gerais. Os reconhecimentos foram aprovados nesta quinta-feira (22) pelo Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep), em reunião no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte.

As Expressões do Samba em Minas Gerais e os Modos de Fazer Cachaça de Alambique receberam o registro como patrimônios imateriais. Já a Casa de Dona Beja, também conhecida como Pensão Tormim, em Araxá, foi tombada. As medidas contribuem para preservar manifestações culturais, conhecimentos transmitidos entre gerações e referências da história mineira.

Samba mineiro reúne 246 grupos cadastrados

O registro das Expressões do Samba reconhece a presença histórica e a diversidade dessa manifestação cultural no estado. Atualmente, Minas Gerais tem 246 grupos de samba cadastrados.

A solicitação para a elaboração do dossiê de reconhecimento foi feita ao Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) pelo coletivo de sambistas Mestre Conga.

Raimundo Nonato da Silva, um dos coordenadores do grupo, celebrou a decisão e destacou a trajetória de resistência do samba. “Na época da ditadura, quando o samba era proibido, sambistas apanhavam, eram presos, e o samba era visto como coisa de vagabundo e cachaceiro. Hoje, é reconhecido como patrimônio cultural. Isso é uma vitória para os sambistas”, afirmou.

Cachaça de alambique: saberes transmitidos entre gerações

O registro dos Modos de Fazer Cachaça de Alambique reconhece técnicas e conhecimentos tradicionais usados na produção da bebida em Minas Gerais. A medida busca dar visibilidade aos produtores e valorizar práticas transmitidas entre gerações.

Minas Gerais lidera a produção nacional de cachaça de alambique, com volume estimado em 13,5 milhões de litros por ano. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), o estado conta com 630 alambiques registrados.

Sara Regina Santana Santos, integrante de uma família que produz a cachaça Guaraciaba há 62 anos, destacou a importância do reconhecimento para os produtores. “Esse reconhecimento do Iepha vai abranger muitas famílias que vivem da cachaça e mostrar o valor da bebida para os mais jovens. Antes, a cachaça era malvista e hoje as pessoas estão valorizando mais”, afirmou.

Casa de Dona Beja

O tombamento da Casa de Dona Beja protege um imóvel ligado à trajetória de Anna Jacintha de São José, figura de destaque na história de Araxá. Construída entre as décadas de 1820 e 1830, a edificação reúne características da arquitetura urbana do século XIX.

Dona Beja teve influência social, econômica e política em sua época, desafiou padrões morais conservadores e esteve ligada a acontecimentos históricos, como a Revolução Liberal de 1842. A proteção do imóvel contribui para preservar a memória urbana de Araxá e a história da personagem em Minas Gerais.

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Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente, é repórter multimídia no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Antes passou pela TV Alterosa. Escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.

 

 

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