Tudo que você precisa saber sobre seguro-viagem em cruzeiros; confira regras e riscos

Atendimento médico a bordo é pago em dólar, acidentes fora do navio não entram automaticamente na conta e nem todo seguro serve para alto-mar; Entenda as regras

Cruzeiros

Viajar de cruzeiro parece sinônimo de descanso, mas uma dúvida prática costuma surgir antes do embarque: o seguro-viagem é obrigatório? E, se for, precisa ser o oferecido pela companhia ou pode ser contratado fora? A resposta depende do itinerário, das regras da empresa e do tipo de cobertura contratada. Abaixo, explicamos ponto a ponto com base em normas das próprias companhias de cruzeiro, práticas do mercado e orientações oficiais do setor de turismo.

Seguro-viagem é obrigatório em cruzeiros?

Depende do roteiro e da companhia.
Em cruzeiros internacionais, várias armadoras exigem seguro-viagem com cobertura mínima para despesas médicas e hospitalares, especialmente em itinerários que passam por países que impõem essa exigência para entrada de estrangeiros.

  • Companhias como MSC Cruzeiros e Costa Cruzeiros informam em seus contratos de transporte que o passageiro deve portar documentação e seguros exigidos pelos países visitados, sob risco de negação de embarque.
  • Em cruzeiros nacionais, o seguro nem sempre é obrigatório, mas é fortemente recomendado, já que o atendimento médico a bordo não é gratuito.

Fonte: Condições Gerais de Transporte e Informações ao Passageiro das companhias marítimas (MSC e Costa) e práticas internacionais de cruzeiros turísticos.

Precisa ser o seguro oferecido pelo cruzeiro?

Não. O passageiro pode contratar um seguro de outra seguradora, desde que a apólice cubra atividades marítimas e atendimento em alto-mar.

Aqui está o ponto crítico: nem todo seguro-viagem comum cobre cruzeiros. Muitos planos baratos excluem:

  • Atendimento médico a bordo
  • Remoção médica por helicóptero
  • Desembarque emergencial em outro país
  • Acidentes ocorridos no navio

Por isso, quando o seguro é contratado fora da companhia, é essencial verificar se a apólice inclui cobertura marítima / cruzeiros.

O seguro vendido pela armadora, apesar de geralmente mais caro, já vem adequado ao tipo de viagem e, em alguns casos, passa a valer desde o momento da compra, cobrindo eventos anteriores ao embarque, como impedimentos documentais ou cancelamentos específicos.

O que o seguro cobre em um cruzeiro?

Navio Cruzeiro

As coberturas variam conforme o plano, mas um seguro adequado para cruzeiros costuma incluir:

Assistência médica e hospitalar

  • Consultas médicas a bordo
  • Atendimento de emergência
  • Medicamentos
  • Internações em portos estrangeiros

Importante: o atendimento médico no navio é particular e cobrado em dólar. Casos simples, como soro, labirintite ou mal-estar, podem custar milhares de reais.

Relatos de passageiros ajudam a dimensionar o impacto financeiro de uma emergência em alto-mar. Em vídeo publicado no YouTube, o canal Casal Cruzeirista, especializado em viagens de navio, relata casos reais de atendimento médico a bordo com custos elevados.

Segundo os criadores de conteúdo, procedimentos considerados simples, como administração de soro, atendimento por mal-estar, labirintite ou intoxicação alcoólica leve, podem gerar contas entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, valores cobrados diretamente pelo centro médico do navio.

Remoção médica

  • Transporte para hospital em terra
  • Evacuação por helicóptero (quando indicada)

Bagagem

  • Extravio
  • Danos ou destruição de malas
  • Reembolso mediante protocolo feito ainda a bordo

Cancelamento ou interrupção da viagem

  • Doença
  • Acidente
  • Situações previstas em contrato (alguns seguros do próprio cruzeiro têm cláusulas específicas)

Despesas emergenciais

  • Hospedagem
  • Alimentação
  • Retorno antecipado

Fonte: Condições gerais de seguros-viagem marítimos e práticas operacionais das companhias.

Por que o seguro é ainda mais importante em cruzeiros?

Em um cruzeiro, o passageiro está:

  • Em alto-mar, longe de hospitais
  • Sujeito a movimento do navio, que pode causar quedas, labirintite e mal-estar
  • Em países diferentes a cada escala, com sistemas de saúde e custos variados

Além disso:

  • Não há SUS nem convênios brasileiros a bordo
  • O atendimento médico é imediato, mas pago
  • O desembarque emergencial depende de logística complexa

Ou seja: o risco financeiro é alto, mesmo em situações simples.

Atenção antes de contratar

Antes de fechar o seguro, confirme:

  • Se cobre cruzeiros marítimos
  • Se inclui atendimento médico a bordo
  • Se há cobertura para remoção aérea
  • Limites de valor (evite coberturas muito baixas)
  • Se o seguro começa a valer antes do embarque

Também é recomendável:

  • Guardar comprovantes
  • Fazer protocolos ainda no navio
  • Ler as exclusões da apólice
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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego & Concursos.

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