Rota dos Pioneiros: maior trilha aquática do Brasil percorre o Rio Paraná
Trajeto de até 407 quilômetros atravessa três estados e combina navegação, caminhada, ciclismo, natureza e história

Entre águas, áreas preservadas e paisagens da Mata Atlântica, a Rota dos Pioneiros percorre o Rio Paraná e é considerada a maior trilha aquática do Brasil. O trajeto tem entre 388,8 e 407 quilômetros e pode levar de 16 a 27 dias para ser percorrido integralmente.
O percurso passa por 18 municípios de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná e combina trechos de navegação com caminhada e mountain bike. A rota também integra o circuito dos Caminhos do Peabiru e atravessa sete Unidades de Conservação.
História pelo caminho
Muito antes de se tornar uma opção de ecoturismo, a região do Rio Paraná e de seus afluentes, como Ivinhema, Piquiri e Paranapanema, foi habitada por povos indígenas, entre eles guaranis, caiouás e caingangues, e esteve sob domínio da Coroa espanhola.
O percurso passa por locais ligados às antigas missões jesuíticas, às expedições de bandeirantes e a conflitos que marcaram a história da região.
Entre os episódios está o Êxodo Guairenho, em 1631, quando cerca de 12 mil indígenas e 700 embarcações seguiram pelos rios Paranapanema e Paraná em busca de abrigo após ataques de bandeirantes paulistas.
A região também foi cenário de acontecimentos militares. No século 18, portugueses construíram o Posto Militar de São José da Pedra Furada do Piquiri. Já no século 20, o Rio Paraná foi palco de batalhas durante a Revolução de 1924.
Natureza e aventura
A Rota dos Pioneiros é dividida em três regiões e oito setores, permitindo que o visitante percorra todo o trajeto ou escolha trechos específicos.
Ao longo do caminho, estão sete Unidades de Conservação, entre elas o Parque Estadual do Morro do Diabo, em São Paulo, o Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema, em Mato Grosso do Sul, e o Parque Nacional de Ilha Grande, no Paraná.
A diversidade de paisagens permite atividades como observação de aves, contemplação da fauna, visitas a mirantes e picos, banhos de rio e cachoeira, além de visitas a grutas, museus, cidades históricas e propriedades de turismo rural.
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Curiosidades da rota
Um dos pontos de destaque é o Morro do Diabo, que se eleva a 600 metros acima do nível do mar no Pontal do Paranapanema. Segundo relatos de moradores e antigos caminhantes, no topo existe uma formação rochosa que lembra um trono.
Durante a navegação, os viajantes também atravessam o Trópico de Capricórnio, uma das principais marcações geográficas do planeta.
Em Porto São José, no Paraná, fica o chamado “Fundão”, uma fenda subaquática que chega a 18 metros de profundidade. Na área e nas proximidades de Porto Rico, equipes de mergulho encontraram restos de embarcações, fuzis e grilhões relacionados à Revolução de 1924.
Outro destaque está em Guaíra, também no Paraná, região de origem da erva-mate. A tradição permanece presente na cultura local por meio do chimarrão e do tereré.
Como fazer a trilha
A Rota dos Pioneiros pode ser iniciada ou interrompida em diferentes pontos ao longo do Rio Paraná. Entre os locais de apoio estão o Balneário Municipal de Rosana, em São Paulo; Porto Maringá, em Marilena, e Porto São José, no Paraná; Porto Caiuá, em Naviraí, no Mato Grosso do Sul; e o Centro Náutico Marinas, em Guaíra, no Paraná.
Para quem pretende navegar de caiaque ou bote, a orientação é não fazer o percurso sozinho. A recomendação é contar com guias experientes ou participar de expedições organizadas, além de acompanhar a previsão do tempo.
O uso de colete salva-vidas, apito de emergência, remo reserva, GPS com mapa salvo, carta náutica, kit de primeiros socorros e proteção solar está entre os cuidados indicados para a atividade.
Também é necessário consultar previamente os órgãos responsáveis pelas Unidades de Conservação para verificar os locais autorizados para visitação e acampamento.
*Com informações do Ministério do Turismo
Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente, é repórter multimídia no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Antes passou pela TV Alterosa. Escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.



