Ilha remota fecha único aeroporto por falhas de segurança e deixa turistas isolados

Território britânico no meio do Atlântico suspende voos por problemas operacionais nos equipamentos de emergência; governo prevê cancelamentos ao menos até 20 de fevereiro

Santa Helena

Uma das ilhas mais remotas do planeta voltou a enfrentar o isolamento quase total. O governo de Santa Helena, território ultramarino britânico localizado no Oceano Atlântico, anunciou o fechamento temporário do único aeroporto da ilha por questões de segurança operacional.

A decisão deixou turistas e moradores sem previsão clara de retomada dos voos. Segundo comunicado oficial, a suspensão das operações ocorre devido ao cumprimento de “requisitos internacionais fixos de segurança” e à falta de confiança na prontidão dos caminhões de bombeiros que dão suporte às operações aéreas.

A expectativa das autoridades locais é de que, ao menos, todos os voos programados até 20 de fevereiro sejam afetados.

Isolamento em meio ao Atlântico

Com cerca de 120 quilômetros quadrados e pouco menos de 5 mil habitantes, Santa Helena fica entre o Brasil e Angola, a aproximadamente 3 mil quilômetros do litoral brasileiro.

A ilha costuma contar com:

  • Voos semanais para Joanesburgo, na África do Sul
  • Um voo mensal para a Ilha de Ascensão
  • Escalas de iates e cruzeiros, principalmente entre outubro e abril
  • Serviço provisório de transporte de carga a partir de Luanda, com trajeto de cerca de 21 dias

Sem o funcionamento do aeroporto, a principal ligação rápida com o exterior fica interrompida, afetando inclusive moradores que precisam viajar por motivos médicos.

Em nota, o governo reconheceu os impactos.

De exílio histórico a destino turístico

Durante séculos, Santa Helena foi conhecida principalmente por seu papel histórico. Foi ali que Napoleão Bonaparte viveu exilado a partir de 1815, após a derrota na Batalha de Waterloo. O imperador francês chegou à ilha depois de uma viagem de cerca de dez semanas de navio.

Até a inauguração do aeroporto, há quase uma década, o acesso ao território exigia longas travessias marítimas — que podiam levar cinco dias saindo da África do Sul, em condições de mar agitado.

Com a abertura da pista, o tempo de viagem caiu para cerca de seis horas de voo, o que impulsionou o turismo e transformou a atividade em um dos pilares da economia local.

Agora, com a suspensão das operações aéreas, a ilha volta temporariamente a uma rotina de conexões limitadas, reacendendo os desafios logísticos típicos de um dos territórios mais isolados do mundo.

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego & Concursos.

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