Crise do combustível de aviação ameaça aeroportos regionais na Europa
Alta do querosene, redução de voos e queda na demanda pressionam terminais menores, que já operam abaixo do nível pré-pandemia

Os aeroportos regionais europeus enfrentam um cenário cada vez mais crítico diante da alta nos preços do combustível de aviação, agravada pela crise energética global. Segundo representantes do setor, a situação já é considerada uma “ameaça existencial” para essas estruturas.
A disparada nos custos foi intensificada após tensões no Oriente Médio, incluindo o bloqueio do Irã no Estreito de Ormuz, que elevou o preço do querosene de aviação para mais de US$ 1.800 por tonelada no início do mês. Como consequência, companhias aéreas têm repassado os custos aos passageiros e reduzido rotas, afetando principalmente aeroportos menores.
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De acordo com o Conselho Internacional de Aeroportos da Europa (ACI Europe), esses terminais são mais vulneráveis por operarem rotas com demanda mais sensível a variações de preço, o que reduz a atratividade para as companhias aéreas. Na prática, isso faz com que cortes de voos atinjam com mais frequência os aeroportos regionais.
O diretor-geral da entidade, Olivier Jankovec, afirma que o setor já vinha fragilizado desde a pandemia de covid-19. Enquanto grandes aeroportos registraram crescimento superior a 16% no fluxo de passageiros em relação a 2019, os menores ainda operam com movimento mais de 30% abaixo do período pré-crise.
Além da alta nos combustíveis, outros fatores pressionam o setor, como a lenta implementação do Sistema de Entrada/Saída Schengen (EES), que pode gerar atrasos em destinos turísticos, e a redução nas receitas aeroportuárias, que seguem abaixo dos níveis anteriores à pandemia.
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Apesar das dificuldades, a ACI Europe destaca que os aeroportos regionais são responsáveis por cerca de 35% da conectividade aérea do continente e desempenham papel estratégico para o desenvolvimento econômico e turístico de diversas regiões.
Diante do cenário, o setor defende medidas emergenciais, como a suspensão de impostos sobre a aviação, apoio financeiro a aeroportos de menor porte e aceleração de políticas de descarbonização.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego e Concursos.



