Substância da ayahuasca pode estimular a criação de novos neurônios e renovar o cérebro
Pesquisas mostram que a dimetiltriptamina (DMT) ajuda na multiplicação de células cerebrais e pode revolucionar o tratamento de doenças neurodegenerativas e psiquiátricas

Uma descoberta no campo da neurociência vem transformando a maneira como os cientistas enxergam a capacidade de regeneração do cérebro humano. Estudos apontam que a dimetiltriptamina, conhecida popularmente como DMT, substância psicodélica presente no chá de ayahuasca, pode ser uma aliada poderosa na formação de novas células cerebrais.
O apontamento é resultado de um estudo realizado pelos pesquisadores Stevens Rehen, do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); e José Alexandre Salerno, do Departamento de Ciências Morfológicas da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).
A revelação, dilvulgada no portal The Conversation Brasil, desafia a antiga crença da medicina de que o cérebro adulto teria uma capacidade quase nula de se regenerar. As investigações têm mostrado que o composto atua diretamente no estímulo às células-tronco neurais, deixando o organismo mais disposto a multiplicar essas unidades sem alterar o rumo natural da sua maturação.
Regeneração neural e o combate a doenças
No corpo humano, o processo de criação de novos neurônios ocorre de forma natural, mas pode ser gravemente comprometido em pessoas afetadas por condições de saúde específicas. Quando essas células morrem ou deixam de ser produzidas, surgem os sintomas característicos de doenças neurodegenerativas graves, como Alzheimer e Parkinson.
Diante desse cenário, o grande desafio da ciência sempre foi encontrar uma maneira de reativar essa habilidade adormecida do sistema nervoso. Ao estimular a proliferação celular, a DMT surge como uma alternativa promissora para substituir tecidos danificados e recuperar funções perdidas.
Plasticidade e saúde mental
Os efeitos do componente da ayahuasca não se limitam apenas aos neurônios. As pesquisas indicam que a substância também impulsiona a formação de outras estruturas fundamentais para o suporte do sistema nervoso, como os astrócitos e os oligodendrócitos.
Essa capacidade de reorganizar e remodelar as conexões neurais, chamada de plasticidade cerebral, abre portas para novas abordagens terapêuticas. De acordo com os pesquisadores, com esse potencial, o composto passa a ser cotado não apenas para mitigar o avanço de quadros degenerativos, mas também para auxiliar no tratamento de distúrbios psiquiátricos complexos, oferecendo novas perspectivas para a medicina regenerativa.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



