Dinamarca descobre submarino alemão de 1917 que ainda libera TNT no mar do Norte
Cientistas detectaram TNT liberado pelo submarino UC-30 de 1917 no mar do Norte. Conheça os riscos ambientais de pecios militares submersos e tecnologias de remoção.

A 30 metros de profundidade no mar do Norte, próximo à ilha dinamarquesa de Rømø, repousa um submarino alemão que afundou há mais de um século. O UC-30 carregava 18 minas e 6 torpedos quando colidiu com uma mina britânica em abril de 1917, levando consigo 27 tripulantes.
Mais de 100 anos depois, cientistas dinamarqueses detectaram algo alarmante: a corrosão progressiva do casco metálico está expondo os explosivos armazenados, liberando TNT no ecossistema marinho. A descoberta transforma um achado histórico em caso concreto de poluição por restos militares submersos, problema que afeta mais de 10 mil embarcações naufragadas apenas em águas dinamarquesas.
Como explosivos centenários chegam ao ambiente marinho
O processo começa com a deterioração natural do metal sob a água. Conforme o casco do UC-30 se corrói, a munição que permaneceu intacta por décadas fica progressivamente exposta ao meio aquático.
Equipes da Universidade de Aarhus, lideradas pela professora Katrine Juul Andresen, coletaram amostras de água, sedimentos e organismos marinhos ao redor do submarino. A análise detectou traços de TNT em estrelas-do-mar, mexilhões, no leito oceânico e na coluna d'água.
Os cientistas consideram que a contaminação provém de uma fonte localizada. O problema pode se intensificar à medida que o pecio continua se degradando, expondo volume maior de material explosivo ao ecossistema.
Escala do problema em águas dinamarquesas
Um levantamento da Agência Danesa de Proteção Ambiental contabilizou 10.127 embarcações naufragadas em território marítimo do país. Aproximadamente 15% desses restos correspondem a períodos próximos às duas guerras mundiais.
Especificamente, os pecios concentram-se em dois intervalos: entre 1910 e 1920, e entre 1940 e 1945. Muitos carregavam munição que permanece no fundo do mar até hoje.
O estudo examinou os possíveis riscos ambientais desses restos dentro dos trabalhos relacionados às exigências da Diretiva Marco do Água da União Europeia. A preocupação central é determinar quais naufrágios representam ameaça ambiental mais elevada.
Por que retirar explosivos submersos é complexo
As operações de recuperação de munição podem ser tecnicamente complicadas e financeiramente custosas. A Alemanha já destinou recursos para recuperar restos e munição da Segunda Guerra Mundial no mar Báltico.
Detonar as cargas diretamente sob a água tampouco é sempre a melhor alternativa. A explosão pode dispersar contaminantes pelo entorno, agravando a poluição em vez de resolvê-la.
A decisão sobre como proceder depende de múltiplos fatores: as correntes marinhas, as características do fundo oceânico e o estado concreto de cada embarcação naufragada. Pecios parcial ou totalmente cobertos por sedimentos apresentam risco menor.
Robôs para monitorar e remover munições no fundo do mar
O projeto europeu REMARCO desenvolve métodos menos agressivos para localizar, controlar e eventualmente retirar munições submersas. Uma das linhas de trabalho utiliza robôs capazes de se desplazar pelo fundo marinho.
Esses sistemas podem cartografar explosivos e vigilar a degradação das embarcações hundidas. Alguns poderiam até recoger determinados objetos para neutralizá-los fora da água.
Os pesquisadores não planejam atuar sobre todos os pecios. O desafio passa por identificar primeiro quais representam a ameaça ambiental mais elevada, concentrando recursos onde o risco é maior.
O descobrimento do UC-30 e sua história
O submarino alemão navegava de volta ao seu país em abril de 1917, após abandonar uma missão com destino à Irlanda devido a problemas no motor. Transportava armamento completo quando, no dia 19 daquele mês, chocou contra uma mina britânica.
A explosão provocou o afundamento imediato e a morte dos 27 tripulantes a bordo. O pecio permaneceu oculto sob as águas do mar do Norte durante quase um século.
Em 2016, o mergulhador dinamarquês Gert Normann Andersen conseguiu localizar o UC-30. Seu descobrimento permitiu incluir o submarino entre os restos analisados dentro do projeto NorthSeaWrecks, que estuda naufrágios e seus impactos ambientais.
Dispersão de contaminantes e fatores que influenciam o alcance
O alcance exato da contaminação ainda precisa ser determinado. As correntes marinas e a morfologia do fundo oceânico condicionam a dispersão dessas substâncias explosivas.
Como o UC-30 está a aproximadamente 30 metros de profundidade, as condições locais do mar do Norte influenciam diretamente como o TNT se move pelo ambiente. A configuração do leito marinho pode criar barreiras naturais ou, ao contrário, facilitar a propagação.
O monitoramento contínuo do pecio permitirá aos cientistas entender melhor como a contaminação evolui e quais medidas preventivas podem ser mais eficazes para limitar o impacto ambiental.
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