Saiba como a enxaqueca pode afetar a saúde mental e o dia a dia
Doença neurológica pode estar associada à ansiedade e à depressão, aumentar a frequência das crises e comprometer a vida pessoal, social e profissional

A enxaqueca não é apenas uma dor de cabeça forte. Trata-se de uma doença neurológica que pode provocar dor pulsante, geralmente em um dos lados da cabeça, além de sensibilidade à luz, aos sons e aos cheiros, náuseas e vômitos. Sem tratamento adequado, uma crise pode durar de quatro a 72 horas.
Além dos sintomas físicos, a doença também pode afetar a saúde mental. Especialistas ouvidos pelo site de notícias Infobae destacam uma relação importante entre enxaqueca, ansiedade e depressão, condições que podem aparecer juntas e influenciar umas às outras.
Segundo dados da Sociedade Espanhola de Neurologia, 48,9% das pessoas com enxaqueca apresentam algum grau de incapacidade relacionado à doença, enquanto uma em cada cinco enfrenta uma incapacidade grave. Quase quatro em cada dez pacientes também apresentam sintomas depressivos de moderados a graves.
Como a migraña afeta a rotina
O impacto da doença pode ultrapassar o período das crises. A enxaqueca pode interferir na vida familiar, social e profissional, principalmente quando os episódios são frequentes ou imprevisíveis.
A médica Maria Teresa Goicochea, explicou, ao Infobae, que a doença é considerada incapacitante, principalmente durante as crises, mas suas consequências podem continuar mesmo fora desses momentos.
Uma crise pode dificultar atividades simples do cotidiano, como cuidar dos filhos, cumprir compromissos ou participar de encontros sociais. O receio de que uma nova crise apareça também pode levar algumas pessoas a evitar determinadas situações.
Outro problema é a percepção equivocada de que enxaqueca seria apenas uma dor de cabeça. Segundo a especialista, essa visão pode desconsiderar a variedade e a intensidade dos sintomas enfrentados pelos pacientes.
Ansiedade e depressão podem aumentar as crises
A relação entre enxaqueca, ansiedade e depressão é considerada bidirecional. Isso significa que os problemas de saúde mental podem favorecer o aumento das crises, enquanto a própria convivência com uma doença incapacitante pode contribuir para o surgimento ou agravamento desses sintomas.
A neurologista Maria Teresa Goicochea afirma que pessoas com enxaqueca associada à depressão ou à ansiedade apresentam maior risco de ter crises mais frequentes. Por isso, o tratamento deve considerar também a identificação e o cuidado dessas condições.
Nos casos de enxaqueca episódica, caracterizada por dores de cabeça em menos de 15 dias por mês, estima-se que entre 20% e 30% dos pacientes apresentem ansiedade. Quando a doença se torna crônica, com dores em 15 ou mais dias por mês, a ansiedade pode atingir aproximadamente metade dos pacientes. Estudos também apontam que a depressão pode ser até duas vezes mais frequente entre pessoas com enxaqueca.
Quando procurar ajuda médica
O diagnóstico da enxaqueca é clínico e deve ser realizado por um profissional de saúde. A recomendação é procurar atendimento quando as dores são recorrentes, duram muito tempo ou não melhoram com os analgésicos normalmente utilizados.
A avaliação também é importante quando a pessoa precisa aumentar o uso de analgésicos, apresenta dores incapacitantes ou percebe mudanças nas características habituais da dor.
Atualmente, existem tratamentos específicos para a doença. Entre as opções estão anticorpos monoclonais, medicamentos conhecidos como gepantes e a aplicação de toxina botulínica. A escolha depende das características de cada paciente e deve ser feita com acompanhamento médico.
Hábitos também podem ajudar
Além do tratamento indicado pelo médico, alguns hábitos podem contribuir para a prevenção das crises e para a melhora da qualidade de vida. Entre eles estão manter uma alimentação saudável e regular, praticar atividade física com frequência, preservar os vínculos sociais e reservar espaço para atividades prazerosas.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



