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Rio Eufrates: entenda profecia bíblica que prevê 'fim do mundo' para 2040

Situação do rio preocupa ambientalistas e 'coincide' com situação descrita na Bíblia

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Rio Eufrates enfrenta níveis historicamente baixos
Rio Eufrates enfrenta níveis historicamente baixos • KARRAR JABBAR / AFP

O rio Eufrates voltou a chamar atenção entre religiosos e internautas após o avanço da seca na região do Oriente Médio reacender interpretações sobre uma antiga profecia bíblica ligada ao “fim dos tempos”.

Citado em diferentes trechos da Bíblia, o curso d’água aparece especialmente no livro de Apocalipse como um dos sinais que antecederiam eventos apocalípticos descritos nas Escrituras.

A passagem mais mencionada está em Apocalipse 16:12, trecho que relata o derramamento da sexta taça da ira divina: “O sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates, e a sua água secou-se, para que se preparasse o caminho dos reis do Oriente”.

Para muitos estudiosos da escatologia cristã, área que interpreta as profecias sobre o fim do mundo, o texto simboliza o início de uma grande batalha final conhecida como Armagedom.

Nas redes sociais, vídeos sobre o assunto viralizaram após imagens mostrarem áreas do rio com níveis de água drasticamente reduzidos.

A situação levou usuários a relacionarem o fenômeno climático diretamente às previsões bíblicas, principalmente por causa de alertas ambientais que indicam risco de agravamento da seca até 2040.

Além do Apocalipse, o Eufrates possui forte significado religioso por ser citado desde o livro de Gênesis.

O rio é descrito como um dos quatro que irrigavam o Jardim do Éden, o que reforça sua importância simbólica dentro da tradição judaico-cristã. Ao longo da Bíblia, ele também aparece ligado a impérios, guerras e fronteiras históricas do povo hebreu.

Apesar da repercussão das teorias religiosas, especialistas destacam que o cenário atual tem causas ambientais concretas.

Especialistas em clima indicam que a diminuição do fluxo não se deve a uma única causa. A situação é resultado de mudanças climáticas, uso excessivo da água, construção de barragens, irrigação em larga escala e falta de coordenação entre os países que compartilham a bacia.

Ainda assim, para muitos fiéis, o contexto atual é visto como um possível cumprimento das profecias descritas há milhares de anos.

Problema que envolve Rio Eufrates não é simbólico

Para quem vive às margens do Eufrates, o problema não é simbólico. É imediato. No Iraque, comunidades já relatam falta de água potável, queda na produção agrícola, aumento da salinização e piora nas condições sanitárias.

A escassez de água afeta diretamente a saúde pública. Naseer Baqar, ativista climático e coordenador de campo da Associação dos Protetores do Rio Tigre no Iraque, afirmou ao British Medical Journal que doenças têm se espalhado por causa da crise hídrica.

Segundo ele: “Diarreia, catapora, sarampo, febre tifoide e cólera estão se espalhando atualmente pelo Iraque por causa da crise da água, e o governo não fornece mais vacinas aos seus cidadãos.”

A redução do volume do rio também prejudica agricultores, pescadores e famílias que dependem da água para tarefas básicas. Em algumas regiões, canais secaram, plantações foram abandonadas e moradores passaram a depender de caminhões-pipa ou fontes de qualidade duvidosa.

O caso do Eufrates chama atenção porque une três camadas distintas: a importância histórica do rio, a força simbólica de sua presença em textos religiosos e uma crise ambiental mensurável.

O que antes aparecia em antigas escrituras como imagem apocalíptica hoje surge, para cientistas e moradores locais, como um problema climático, político e humanitário em expansão.

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