Respiramos de forma igual pelas duas narinas? A resposta pode te surpreender
Você pode respirar mais facilmente por uma narina do que pela outra, e isso nem sempre indica congestão. O chamado ciclo nasal alterna naturalmente o fluxo de ar ao longo do dia, em muitas pessoas

Em alguns momentos, uma narina parece permitir a passagem de ar com mais facilidade do que a outra. A sensação pode mudar algumas horas depois, mesmo quando a pessoa não está resfriada nem apresenta sintomas de alergia.
Esse fenômeno é conhecido como ciclo nasal. Ele ocorre porque os tecidos internos do nariz alternam naturalmente o grau de congestão entre os dois lados, modificando a resistência à passagem do ar.
Uma pesquisa publicada na revista científica Plos One investigou o ciclo nasal e demonstrou que o fluxo de ar pode variar entre as narinas ao longo do dia.
Como funciona o ciclo nasal?
O interior do nariz contém tecidos ricos em vasos sanguíneos, capazes de aumentar ou diminuir de volume. Quando o tecido de um lado fica mais congestionado, a passagem do ar pode se tornar relativamente mais livre do outro lado.
Depois de determinado período, essa relação pode se inverter. O processo é involuntário e está relacionado ao sistema nervoso autônomo, que regula várias funções do organismo sem depender de uma decisão consciente.
A duração do ciclo varia entre pessoas e também pode ser influenciada pela postura corporal e pelo estado de sono ou vigília.
Isso significa que o nariz está entupido?
Nem sempre. Uma diferença temporária entre as narinas pode fazer parte do funcionamento normal do organismo.
Entretanto, alergias, infecções respiratórias, alterações estruturais e outras condições também podem dificultar a passagem do ar. A diferença está no contexto e na persistência dos sintomas.
Se uma narina permanecer obstruída por muito tempo, ou se houver dor, sangramento frequente, secreção persistente ou dificuldade importante para respirar, vale procurar avaliação médica.
O ciclo nasal tem alguma função?
A alternância do fluxo de ar está relacionada às mudanças naturais dos tecidos nasais, que participam do aquecimento, da umidificação e da filtragem do ar inspirado.
Os pesquisadores continuam estudando a importância fisiológica do ciclo e suas relações com outros processos do organismo. Embora existam hipóteses sobre seus efeitos, não é correto afirmar que a alternância tenha uma única função comprovada em todas as pessoas.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.






