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Picos de glicose: por que o problema pode afetar a saúde mesmo sem diabetes

Entenda como aumentos repetidos da glicose no sangue podem afetar coração, cérebro e outros órgãos, além de apontarem hábitos que ajudam a manter uma resposta metabólica mais equilibrada

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Mulher diabética verificando seu nível de glicose • Freepik

A glicose é essencial para o funcionamento do organismo e é normal que seus níveis aumentem depois das refeições. O problema aparece quando essas elevações são muito intensas ou permanecem acima do normal por períodos prolongados. A repetição desse padrão pode favorecer processos relacionados à inflamação, ao estresse oxidativo e a alterações nos vasos sanguíneos.

O site de notícias Infobae ouviu especialistas sobre o assunto; confira, a seguir, o que eles disseram.

De acordo com o médico clínico Ramiro Heredia, do departamento de Medicina Interna do Hospital de Clínicas José de San Martín, a glicose pode se unir às proteínas por meio de um processo chamado glicação. "A glicose se une às proteínas, por um processo que se chama glicação, e altera sua função", explicou.

Segundo o especialista, esse processo pode contribuir para danos em diferentes partes do organismo. "Tudo isso contribui para o dano de órgãos como o coração, os rins, os olhos, os nervos e o cérebro", afirmou.

A médica especialista em Medicina Interna e Nutrição Marianela Aguirre Ackermann, vice-presidente da Sociedade Argentina de Nutrição, reforçou que uma elevação da glicose após uma refeição, por si só, não significa que exista um problema de saúde.

"Em uma pessoa com um metabolismo normal, a glicose sobe depois de comer, e isso é o esperado, não é patológico", explicou.

O problema está na repetição

Os especialistas destacam que a preocupação não deve ser um aumento isolado da glicose depois de uma refeição, mas o padrão alimentar mantido durante meses e anos.

Dietas com consumo frequente de bebidas açucaradas, açúcares livres e carboidratos refinados podem favorecer elevações mais frequentes e prolongadas da glicose.

"Por isso não deveríamos avaliar nossa alimentação por cada 'pico' de glicose isolado. Na nutrição, importa muito mais o padrão que repetimos durante meses e anos do que o que acontece depois de um sorvete em um domingo", afirmou Aguirre Ackermann.

Esse padrão também pode ter consequências para o sistema cardiovascular. O médico Gabriel Lapman explicou que os produtos resultantes da glicação podem contribuir para danos nos vasos sanguíneos, nos rins e nas artérias.

A exposição prolongada a esses processos está associada ao aumento do risco de problemas cardiovasculares e renais, especialmente entre pessoas que já apresentam outros fatores de risco, como sedentarismo, hipertensão ou doença renal.

Cérebro também pode ser afetado

A estabilidade da glicose também é importante para o funcionamento do cérebro. Segundo Heredia, tanto quedas importantes quanto níveis elevados de glicose mantidos por muito tempo podem prejudicar o funcionamento do organismo.

O excesso prolongado pode favorecer processos inflamatórios e alterações nos vasos que levam sangue ao cérebro, com possíveis consequências para o funcionamento cognitivo e neurológico.

Os efeitos também podem atingir órgãos como rins, retina e nervos periféricos quando existe exposição prolongada a níveis elevados de glicose.

Não são só doces que provocam aumento da glicose

Outro ponto destacado pelos especialistas é que os alimentos que podem elevar rapidamente a glicose não se resumem a doces e sobremesas.

Bebidas açucaradas, incluindo refrigerantes e alguns sucos, podem provocar aumentos rápidos porque concentram açúcares e possuem pouca ou nenhuma fibra. Alimentos ricos em amido, como pão, arroz, massas, batata e alguns cereais, também podem elevar a glicose. A velocidade dessa resposta depende do alimento, do grau de processamento e da quantidade consumida.

O pão branco, por exemplo, tende a provocar uma elevação mais rápida do que versões com maior quantidade de fibras. A Organização Mundial da Saúde recomenda priorizar cereais integrais, verduras, frutas inteiras e leguminosas como fontes de carboidratos.

É possível perceber quando a glicose está alta?

Nem sempre. Segundo Aguirre Ackermann, uma pessoa saudável não consegue identificar apenas pelos sintomas se teve um pico de glicose considerado prejudicial.

Cansaço, sono depois das refeições, fome ou vontade de comer algo doce são sinais inespecíficos e não permitem determinar se existem alterações perigosas.

A pré-diabetes e o diabetes tipo 2 também podem permanecer silenciosos por anos. Por isso, exames como glicemia em jejum, hemoglobina glicada e teste de tolerância oral à glicose são utilizados para identificar alterações no metabolismo.

Os especialistas também ressaltam que, para pessoas sem diagnóstico de diabetes, não há evidências suficientes para recomendar o uso rotineiro de sensores de monitoramento contínuo da glicose apenas para tentar identificar oscilações normais após as refeições.

Hábitos que podem ajudar

A recomendação não é tentar impedir que a glicose aumente depois de comer. Esse aumento é uma resposta normal do organismo. O objetivo é manter uma alimentação equilibrada e evitar um padrão baseado constantemente em bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados.

Uma das estratégias apontadas pelos especialistas é combinar carboidratos com fontes de fibras, proteínas e gorduras de boa qualidade. Verduras, frutas inteiras, leguminosas e cereais integrais também podem ajudar a tornar a resposta glicêmica mais gradual.

Outra medida simples é movimentar-se depois das refeições. Uma caminhada leve de aproximadamente 10 a 15 minutos pode favorecer a utilização da glicose pelos músculos.

"O exercício é uma das ferramentas mais eficazes para melhorar a sensibilidade à insulina e o manejo da glicose", afirmou Heredia ao Infobae.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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