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O segredo chocante que NINGUÉM te conta sobre as canetas emagrecedoras!

Entenda por que semaglutida e tirzepatida exigem mudança de hábitos para manter o peso. Veja os cinco pilares essenciais. Confira agora.

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Imagem meramente ilustrativa • Freepik/Reprodução

A promessa de emagrecer rapidamente com as chamadas canetas emagrecedoras atrai cada vez mais pessoas em busca de resultados rápidos. Mas a ciência mostra uma realidade diferente: quando o tratamento termina, o peso volta.

Isso acontece porque a obesidade é uma doença crônica, assim como hipertensão e diabetes. O reganho de peso não é falta de força de vontade, mas uma resposta biológica do organismo que tenta recuperar o que foi perdido. Segundo o endocrinologista Paulo Rosenbaum, do Einstein Hospital Israelita, "quando o tratamento é interrompido, a doença volta a se manifestar".

Como as canetas emagrecedoras funcionam no organismo

Medicamentos como semaglutida e tirzepatida agem sobre o GLP-1, um hormônio responsável pelas sensações de fome e saciedade. Ao frear sua ação, essas substâncias fazem a pessoa querer comer menos, promovendo o emagrecimento.

O problema surge quando o uso é interrompido. O organismo volta a ativar mecanismos que favorecem o ganho de peso, revertendo os resultados conquistados.

Por isso, esses fármacos não devem ser vistos como solução rápida para emagrecer. Eles fazem parte de uma estratégia mais ampla de tratamento da obesidade.

O que acontece com o peso após parar os medicamentos

Uma revisão sistemática publicada no BMJ em janeiro de 2025 analisou 37 estudos com mais de 9.300 adultos com sobrepeso ou obesidade. Os resultados revelam o padrão de reganho de peso após a interrupção do tratamento.

Os participantes usaram diferentes classes de medicamentos, desde opções mais antigas como sibutramina e orlistate até terapias recentes com liraglutida, semaglutida e tirzepatida. Permaneceram em média 39 semanas em tratamento e foram acompanhados por mais 32 semanas após a suspensão.

Durante o uso das medicações, os participantes perderam em média 8,3 kg, mais que o dobro da perda observada nos grupos controle. Após interromper o tratamento, porém, o peso voltou a aumentar gradualmente no ritmo de 0,4 kg por mês.

Nesse ritmo, os participantes retornariam ao peso inicial em aproximadamente um ano e sete meses. Além disso, os benefícios metabólicos conquistados, como melhora da glicemia, colesterol e pressão arterial, também começaram a diminuir.

Por que o organismo defende o peso perdido

O corpo humano desenvolveu ao longo da evolução mecanismos de defesa contra a perda de gordura. Esses mecanismos foram importantes para a sobrevivência da espécie em períodos de escassez de alimentos.

Hoje, esses mesmos mecanismos dificultam a manutenção da perda de peso. "Esses mecanismos foram importantes para a sobrevivência da espécie em períodos de escassez de alimentos. Hoje, eles dificultam a manutenção da perda de peso", explica Paulo Rosenbaum.

O reganho tende a ser menor em pessoas que perderam menos peso, tinham obesidade menos grave e conseguiram manter hábitos saudáveis consistentemente. Mas não é possível prever com precisão quem terá esse comportamento.

Cinco pilares para manter o peso após os medicamentos

Manter os resultados conquistados com as medicações depende de um conjunto de mudanças no estilo de vida. Esses hábitos devem ser construídos durante o tratamento, não apenas após sua interrupção.

Alimentação estratégica: uma dieta rica em proteínas e fibras ajuda a aumentar a saciedade e reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados. Essa mudança no padrão alimentar é fundamental para sustentar a perda de peso.

Exercícios regulares: a prática regular de atividade física contribui para preservar a massa magra, elevar o gasto energético e melhorar a saúde cardiovascular. O exercício é um dos pilares mais importantes para evitar o reganho.

Qualidade do sono: dormir bem é fundamental para regular os hormônios relacionados ao apetite. A privação de sono está associada a maior dificuldade em manter o peso.

Controle do estresse: níveis elevados de estresse podem desencadear episódios de alimentação emocional. Técnicas de manejo do estresse ajudam a manter o controle sobre as escolhas alimentares.

Mudança comportamental: sem uma transformação profunda nos hábitos e na relação com a comida, a tendência é recuperar boa parte do peso quando o medicamento é suspenso.

Medicamentos sozinhos não sustentam a perda de peso

"Muitas pessoas apenas usam o remédio, comem menos porque o apetite diminuiu e emagrecem. Mas, se elas não mudam o padrão alimentar, não praticam atividade física regularmente e não fazem uma mudança comportamental, a tendência é recuperar boa parte do peso quando o medicamento é suspenso", alerta o endocrinologista Paulo Rosenbaum.

As canetas emagrecedoras são ferramentas muito eficazes no tratamento da obesidade, mas fazem parte de uma estratégia mais ampla. Sozinhas, elas não conseguem sustentar a perda de peso por muito tempo.

"As mudanças no estilo de vida potencializam a perda de peso e aumentam as chances de manter os resultados no longo prazo", frisa o médico do Einstein.

Tratamento da obesidade como doença crônica

O objetivo não deve ser apenas perder peso rapidamente, mas tratar uma doença crônica que exige acompanhamento de longo prazo. Essa mudança de perspectiva é fundamental para o sucesso.

"O objetivo não deve ser apenas perder peso rapidamente, mas tratar uma doença crônica. As canetas para emagrecer fazem parte desse tratamento, mas o sucesso depende de uma estratégia de longo prazo, construída entre paciente, médico e equipe multiprofissional", conclui Paulo Rosenbaum.

A abordagem integrada, que combina medicação, mudança de hábitos e acompanhamento profissional, oferece as melhores chances de resultados sustentáveis. O tratamento da obesidade exige compromisso contínuo, não soluções pontuais.

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