Peso dos mais velhos sobe no subsídio de desemprego
Veja como o subsídio de desemprego em Portugal mudou entre 2015 e 2025, com análise sobre perfil dos beneficiários e taxa de substituição salarial

Entre 2015 e 2025, o perfil de quem recorre ao subsídio de desemprego em Portugal sofreu uma transformação significativa. O peso dos trabalhadores com mais de 50 anos no sistema aumentou de 21% para 26%, enquanto a idade média dos beneficiários subiu de 38,9 para 40,6 anos.
Essa mudança demográfica coincide com outra evolução importante: a taxa de substituição do subsídio em relação ao salário anterior diminuiu no mesmo período, passando de aproximadamente 70% para cerca de 64%. Um estudo do Banco de Portugal, publicado no Boletim de Outono, mapeou essas transformações estruturais na última década e revelou como a proteção social no desemprego se adaptou ao envelhecimento da força de trabalho e às mudanças salariais.
O envelhecimento dos beneficiários do subsídio de desemprego
A composição das entradas no subsídio de desemprego alterou-se de forma relevante entre 2015 e 2025, segundo o Banco de Portugal. O número de trabalhadores mais velhos aumentou, enquanto o peso dos grupos mais jovens diminuiu três pontos percentuais.
A idade média dos beneficiários passou de 38,9 para 40,6 anos no período analisado. Quando se considera apenas o primeiro episódio de desemprego observado de cada beneficiário, as diferenças entre 2015 e 2025 são mais reduzidas, com a idade média aumentando de 37,9 para 38,5 anos.
Os resultados sugerem que o envelhecimento do conjunto das entradas reflete, em parte, a acumulação de episódios de subsídio de desemprego ao longo do tempo. Trabalhadores com mais de 50 anos representavam 21% das entradas em 2015 e passaram a representar 26% em 2025.
Como a taxa de substituição salarial evoluiu na última década
A taxa de substituição do subsídio relativamente ao salário diminuiu entre 2015 e 2025, de cerca de 70% para aproximadamente 64%. Essa métrica indica quanto o benefício representa em relação ao último salário recebido pelo trabalhador.
A variação é significativa ao longo da distribuição salarial, diminuindo à medida que aumenta o salário de origem. Em 2025, o subsídio de desemprego correspondia, em média, a cerca de 69% do salário anterior entre os trabalhadores com salários baixos.
Entre os trabalhadores com salários intermédios, a taxa ficou em 66%, enquanto entre os trabalhadores com salários elevados caiu para 49%. O Banco de Portugal ressalta que o subsídio de desemprego não está sujeito a impostos sobre o rendimento nem a contribuições para a Segurança Social, pelo que a taxa de substituição é mais elevada quando se considera o salário líquido.
Perfil salarial dos trabalhadores que entram no desemprego
Cerca de 40% das entradas no subsídio de desemprego corresponderam a trabalhadores com salários até 880 euros, segundo o estudo do Banco de Portugal. Essa concentração na faixa salarial mais baixa indica que a maioria dos beneficiários provém de ocupações com rendimentos reduzidos.
A distribuição salarial dos beneficiários do subsídio revela a importância da proteção social para trabalhadores em situação de maior vulnerabilidade económica. O recorte por faixa de rendimento mostra como o sistema atende predominantemente quem tem menor capacidade de poupança para enfrentar períodos sem trabalho.
O que acontece com os salários após o retorno ao mercado de trabalho
Quando regressaram ao mercado de trabalho em 2024, cerca de 40% dos beneficiários registaram uma redução do salário real. Esse dado revela que a transição de volta ao emprego nem sempre representa recuperação integral das condições anteriores.
A redução salarial no retorno ao trabalho afeta a capacidade de recomposição financeira das famílias após o período de desemprego. A proporção de quase metade dos trabalhadores com rendimento inferior ao anterior indica que o desemprego pode deixar marcas duradouras na trajetória profissional.
Essa informação complementa o diagnóstico sobre a efetividade da proteção social: mesmo com o subsídio funcionando como rede de segurança temporária, o retorno ao mercado não garante a manutenção do padrão de vida anterior para parcela significativa dos beneficiários.
Mudanças estruturais na proteção social do desemprego
O trabalho de análise ao subsídio de desemprego na última década foi publicado pelo Banco de Portugal no Boletim de Outono. As conclusões apontam para transformações estruturais tanto no perfil demográfico dos beneficiários quanto na cobertura financeira oferecida pelo sistema.
O envelhecimento dos beneficiários e a redução da taxa de substituição salarial são tendências que dialogam com mudanças mais amplas no mercado de trabalho português. A menor presença de jovens entre os beneficiários pode refletir tanto alterações demográficas gerais quanto mudanças nos padrões de empregabilidade por faixa etária.
Esses dados fornecem diagnóstico técnico sobre como a segurança do trabalhador evoluiu na última década. A análise de longo prazo permite identificar padrões e desafios estruturais que políticas públicas precisam considerar ao pensar a proteção social no desemprego.
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