Itatiaia

Geração Z ainda vê imprensa tradicional como principal selo de credibilidade, aponta estudo

​Pesquisa da consultoria Trope-se mostra que 91% dos jovens consideram reportagens de mídias tradicionais como "notícia de verdade", embora consumam informação em formatos como podcasts e redes sociais

Por
Geração Z no Brasil ainda vê imprensa tradicional como principal selo de credibilidade, aponta estudo
Geração Z no Brasil ainda vê imprensa tradicional como principal selo de credibilidade, aponta estudo • Rovena Rosa/Agência Brasil

​O avanço dos algoritmos, dos criadores de conteúdos e dos videocasts não eliminou o valor do jornalismo profissional para a juventude brasileira. É o que revela um estudo recente do Observatório de Novas Gerações da consultoria Trope-se: para 91% da Geração Z no Brasil, reportagens publicadas por veículos da mídia tradicional, como jornais, revistas e redes de televisão, ainda representam o padrão do que é considerado "notícia de verdade".

​O dado indica que, embora os canais de descoberta tenham se multiplicado, a régua de validação da informação continua atrelada às estruturas do jornalismo tradicional.

​Ecossistema complementar de informação

​Longe de abandonar a imprensa, a Gen Z construiu uma jornada informacional híbrida. O repertório diário desses jovens integra múltiplos canais, consumidos sob diferentes níveis de relevância: podcasts e videocasts são reconhecidos como fonte de informação por 43% dos entrevistados, seguidos por cortes de entrevistas (35%), vídeos de creators comentando fatos (34%) e posts ou comentários em redes sociais (30%).

Nesse cenário, os novos formatos não substituem o jornalismo tradicional, mas atuam como portas de entrada ou espaços de aprofundamento e debate.

Leia também: Quina acumulada sorteia R$ 25 milhões no concurso 7136 desta terça-feira (6)

Esses números revelam que a juventude tem uma relação menos polarizada entre mídia tradicional e novos formatos. Para eles, uma reportagem de veículo tradicional pode ser reconhecida como notícia, enquanto um podcast, um corte ou um vídeo de creator também pode ser lido como um repertório informacional.

​"A Geração Z não abandonou a notícia; ela ampliou os caminhos pelos quais chega até ela. Eles podem descobrir um assunto em um corte, aprofundá-lo em um podcast, acompanhar a repercussão nas redes e, ainda assim, reconhecer uma reportagem de veículo tradicional como referência", explica Luiz Menezes, CEO da Trope-se.

O artigo reforça que a juventude não pode ser compreendida apenas como uma geração que “migrou” da imprensa para as redes, mas como pessoas que transitam entre diferentes fontes e linguagens, atribuindo funções distintas a cada uma delas.

Leia também: Confira a previsão do tempo para BH nesta terça-feira (6)

​O desafio de credibilidade para marcas e veículos

​A pesquisa traz implicações diretas para a creator economy (ecossistema de negócios em que pessoas independentes usam sua criatividade, conhecimento e redes sociais para gerar conteúdo, construir comunidades e transformar audiência em renda e para o mercado publicitário). A presença constante nos feeds das redes sociais é eficiente para gerar descobertas, mas não garante, por si só, o status de informação confiável.

Para veículos e marcas que buscam diálogo com os nativos digitais, o estudo reforça que o público jovem desenvolveu critérios claros de checagem. A linguagem pode ser informal e o intermediário pode ser um influenciador, mas a referência jornalística permanece como um importante parâmetro de validação. Estar no feed pode gerar descoberta, mas não necessariamente confere status de informação confiável.

Por

Mariane Castro é estudante de jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais. Tem interesse nas áreas de cultura e pesquisa em jogos digitais e já atuou na Assessoria de Imprensa da UFMG. Atualmente, é estagiária de Minas, Brasil e Mundo na Rádio Itatiaia.

 

 

Belo Horizonte