O que significa, segundo a psicologia, quando uma pessoa permanece em silêncio em conversas em grupo

Cérebro de indivíduos mais silenciosos tende a operar com um nível de estimulação interna mais elevado

Comportamento também pode ser um mecanismo de preservação do bem-estar

Um novo olhar da psicologia e da neurociência está transformando a compreensão sobre o comportamento de pessoas que optam por falar pouco ou permanecer em silêncio durante interações grupais.

Ao contrário do que dita o senso comum, o silêncio não deve ser interpretado automaticamente como sinal de insegurança, desinteresse ou falta de educação.

Especialistas indicam que essa postura reflete, na verdade, uma forma distinta de processar informações e interagir com o ambiente.

De acordo com estudos recentes, o cérebro de indivíduos mais silenciosos tende a operar com um nível de estimulação interna mais elevado, mesmo em estado de repouso.

Enquanto pessoas extrovertidas buscam estímulos externos constantes para se sentirem engajadas, aquelas que preferem a escuta alcançam seu nível ideal de ativação por meio de processos reflexivos e análise interna.

No contexto das redes sociais e grupos de mensagens, como o WhatsApp, esse comportamento também pode ser um mecanismo de preservação do bem-estar e uma forma de estabelecer limites saudáveis diante da sobrecarga informativa.

Em entrevista ao portal argentino “Clarín”, a psicóloga Rebeca Cáceres destaca que o silêncio digital deve ser encarado como um ato de liberdade pessoal e uma forma de respeito ao próprio ritmo.

Em âmbitos profissionais e educacionais, onde a participação visível costuma ser mais valorizada que a análise profunda, esses perfis reflexivos podem passar despercebidos ou ser subestimados.

No entanto, a especialista reforça que a inteligência emocional reside justamente em não interpretar a falta de resposta como algo pessoal, reconhecendo que cada indivíduo tem o direito de decidir como e quando interagir.

Em um mundo hiperconectado que premia a rapidez e a visibilidade, a ciência sugere que o silêncio não é um vácuo de comunicação, mas uma ferramenta legítima de construção de vínculos mais honestos e de uma convivência mais equilibrada.

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